18 de Setembro de 2012 / às 15:27 / em 5 anos

Novo livro de Salman Rushdie conta vida em fuga após fatwa iraniana

Livro de memórias do escritor Salman Rushdie conta como ele se escondeu por nove anos após lider iraniano emitir sentença de morte contra ele. 09/09/2012 REUTERS/Fred Thornhill (

Por Mike Collett-White

LONDRES, 18 Set (Reuters) - O livro de memórias do escritor britânico Salman Rushdie sobre os mais de nove anos que viveu se escondendo após o líder supremo do Irã emitir uma sentença de morte contra ele chega às livrarias nesta terça-feira.

“Joseph Anton” abre com o momento em que Rushdie, já um membro da elite literária de Londres, recebeu um telefonema de um jornalista pedindo sua reação à fatwa, ou decreto religioso, emitido em 1989 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, pedindo sua cabeça.

“Não me parece bom”, foi sua resposta discreta. Mas lembra de ter pensado naquela hora: “Sou um homem morto”.

O que se seguiu foi quase uma década de vida em fuga, temendo por sua própria segurança e a de sua família.

A fatwa, em resposta ao romance de 1988 “Os Versos Satânicos”, transformou Rushdie em um nome que ficará para sempre ligado à disputa entre o direito à liberdade de expressão e a necessidade de respeitar as sensibilidades religiosas.

O tema está de volta às manchetes após violentos protestos espalhados por todo o mundo muçulmano em resposta a um vídeo feito nos EUA ironizando o profeta Maomé.

“Eu sempre disse que o que aconteceu comigo foi um prólogo e haverá muitos, muitos mais episódios como esse”, disse Rushdie ao Daily Telegraph no lançamento do seu livro.

“Claramente, (o filme é) um lixo, é muito mal feito e é malévolo. Reagir a ele com este tipo de violência é apenas ridiculamente inadequado. Pessoas estão sendo atacadas que não tinham nada a ver com isso e isso não está certo.”

No fim de semana, uma fundação religiosa iraniana ligada ao Estado aumentou a recompensa pela cabeça dele para 3,3 milhões de dólares. Seu líder argumentou que se Rushdie tivesse sido morto, casos posteriores de insulto ao islã teriam sido evitados.

A inglesa PEN, filial do grupo internacional que promove a liberdade de expressão na literatura, defendeu Rushdie.

“O filme que causou essa rodada de inquietação é um insulto à inteligência de todos, mas os meios de combate a isso são mais inteligentes, e não ameaças de fatwas restabelecidas e assassinatos”, afirmou a autora e ativista Lisa Appignanesi.

O livro de 633 páginas, escrito na terceira pessoa do singular, lembra os dias de Rushdie como um estudante na Universidade de Cambridge e seu início na carreira literária, incluindo o dia em que ele recebeu o cobiçado Prêmio Booker por “Os Filhos da Meia-noite”, em 1981.

Sete anos mais tarde o romance “Os Versos Satânicos” foi lançado e, por algumas semanas foi, como ele carinhosamente lembra, “só um romance”.

Em seguida, o livro foi proibido na Índia e na África do Sul, cópias foram queimadas nas ruas do norte da Inglaterra, outros autores voltaram-se contra ele, sua esposa, Clarissa, recebeu pela primeira vez telefonemas ameaçadores e livrarias foram bombardeadas.

Rushdie se viu no olho de um furacão que se tornou ainda mais feroz no Valentine’s Day (dia dos namorados) de 1989, quando a fatwa foi emitida, obrigando-lhe a quase uma década de medo, frustração e vida de culpa sob segurança armada e mudando de casa em casa.

Por razões de segurança, ele teve que mudar de nome e escolheu uma combinação dos primeiros de dois de seus autores favoritos, Conrad e Tchekhov. Durante 11 anos foi conhecido como Joseph Anton.

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