Fundação alemã cancela planos de exibir trechos de filme anti-islâmico

quarta-feira, 19 de setembro de 2012 14:30 BRT
 

BERLIM, 19 Set (Reuters) - A fundação Cinema pela Paz, de Berlim, cancelou planos de exibir trechos do filme anti-islã "A Inocência dos Muçulmanos" como parte de um painel de debates, após protestos violentos no mundo muçulmano.

A fundação, que se concentra em questões humanitárias e ambientais, havia anunciado anteriormente que promoveria um debate "animado, mas pacífico" sobre liberdade de expressão e filmes que incitam o ódio religioso ao exibir este e outros filmes no dia 1o de outubro.

"Devido às polêmicas discussões e emoções, o Cinema pela Paz vai fazer (o debate) sem os trechos de 'A Inocência dos Muçulmanos', porque a fundação não quer apoiar quaisquer outras reações ou maior circulação do filme", disse a fundação.

A entidade informou que ainda pode usar partes de outros filmes, incluindo o filme holandês "Submission", que critica o tratamento das mulheres no islamismo e que levou o cineasta Theo van Gogh a ser esfaqueado até a morte por um muçulmano radical em Amsterdã, em 2004.

Eles também planejam mostrar partes do filme de propaganda antissemita nazista "Jud Suess", de Veit Harlan, e "Dogma", de Kevin Smith, uma sátira sobre o catolicismo.

Especialistas muçulmanos, judeus e cristãos, além de políticos, participariam do debate sobre liberdade de expressão e filmes blasfemos, de acordo com a organização.

Um grupo de extrema-direita alemão conhecido como Pro-Deutschland disse na semana passada que queria exibir "A Inocência dos Muçulmanos" em Berlim, mas não tinha encontrado um cinema preparado para mostrá-lo.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, que descreveu o filme como um "vídeo de ódio anti-islâmico", condenou o plano do Pro-Deutschland.

A legislação alemã garante a liberdade de expressão, mas não além do ponto em que as pessoas se sentem ofendidas, disse a organização.

O grupo afirmou que as autoridades iriam avaliar se proibiriam qualquer exibição. O ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, disse que não era uma questão de banir o filme em si, mas sim de proibir qualquer exibição pública, devido ao risco de segurança que representaria.

(Reportagem de Sophie Duvernoy e Alexandra Hudson)