ESTREIA-Em "Ted", urso de pelúcia politicamente incorreto não tem graça

quinta-feira, 20 de setembro de 2012 11:13 BRT
 

SÃO PAULO, 20 Set (Reuters) - "Ted" poderia ser uma versão cômica de "Brinquedo Assassino", mas esse filme de ‘terrir' já era cômico por natureza; então, não sobra muito para o longa que estreia no país na sexta-feira e tem como protagonista um urso de pelúcia boca suja, maconheiro e sem a menor graça.

Co-escrito e dirigido por Seth MacFarlane - criador da série de televisão "Uma Família da Pesada" - o filme tem uma espécie de humor canhestro que tenta se passar por ácido, divertido. É como se assumíssemos que tudo que for politicamente incorreto é engraçado apenas por sê-lo.

Essa é a filosofia dessa comédia, na qual um sujeito de 35 anos, John (Mark Wahlberg), convive com seu urso de pelúcia desde os 8 anos. O brinquedo ganhou vida quando o dono o desejou - e uma estrela cadente realizou. Agora, quase três décadas depois, o protagonista não se desgruda do amigo, mesmo quando essa amizade inusitada começa a ameaçar seu romance com Lori (Mila Kunis).

Ela, aliás, como o restante da humanidade, não estanha o fato do urso andar, falar e fazer sexo com prostitutas - aliás, essas também não estranham, pois ganham para isso. A Mila sobra o papel de resignada, sem qualquer nuance - o que, aliás, é um problema no filme como um todo. Os personagens são rasos e sem qualquer arco dramático - e isso piora quando o filme resolve ser fofo em seus minutos finais.

Estranho num longa, MacFarlane mostra não ter muito senso cinematográfico ou de narrativa. Não há uma história, mas um punhado de piadas racistas, sexistas ou sobre como Ted e todos os demais personagens masculinos têm medo de ‘virar' gay.

Para que exista algo de diferente além das brigas entre John e Lori - e das orgias de Ted - , há também um sujeito estranho (Giovanni Ribisi), que persegue o urso, pois inveja seu dono desde a infância e agora quer o brinquedo para seu filho gorducho.

O excesso de referências pop de "Ted" - dá música a filmes dos anos de 1980 (o ator de "Flash Gordon", Sam J. Jones, sai do ostracismo numa ponta como ele mesmo) - só serve para salientar o vazio do filme. Afinal, McFarlane parece não ter muito o que dizer, muito menos o urso, apesar de seu dom da fala. Ou seria maldição?

(Alysson Oliveira, do Cineweb)

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