ESTREIA-Delicado, uruguaio "La Vida Útil" celebra amor pelo cinema

quinta-feira, 27 de setembro de 2012 08:31 BRT
 

SÃO PAULO, 26 Set (Reuters) - Filmado em cores e, posteriormente, transformado em preto e branco, o uruguaio "La Vida Útil - Um Conto de Cinema" tem seu ritmo próprio e pede um pouco de calma para se mergulhar em seu mundo - mas a recompensa é generosa para quem se aventura na proposta.

Seu protagonista, um programador da cinemateca de seu país, é uma figura que fala facilmente aos cinéfilos, mas, à medida que a história caminha, o longa de Federico Veiroj abre o seu diálogo, tornando-se uma história de amor. O filme estreia apenas em São Paulo.

"Você precisa da Cinemateca, a Cinemateca precisa de você", diz Jorge (interpretado por Jorge Jellinek, um crítico de cinema na vida real), gravando uma propaganda - que, mais do que isso, é um claro pedido de ajuda financeira aos sócios da cinemateca agonizante. A sala de cinema é o cenário da história, com suas paredes que são as lembranças de filmes exibidos.

Na primeira parte, o longa acompanha o cotidiano de Jorge, mostrando detalhes da vida dele, enfurnado na instituição, muitas vezes na sala de projeção, e seu trabalho numa rádio num programa sobre, é claro, a cinemateca.

Embora a parte inicial deixe claro que o longa não recria o dia-a-dia da Cinemateca Uruguaia, nem de seus profissionais, o diretor, que também assina o roteiro, emprega um enfoque realista, quase documental em sua secura.

O ponto de virada chega quando entra em cena Paola (Paola Venditto), professora universitária e frequentadora da cinemateca. Quando Jorge se interessa por ela e a segue, a narrativa encontra um novo cenário: a rua. Para o protagonista, sair de sua zona de conforto é a sua aventura, que inclui uma ida ao barbeiro e um passeio pelo campus da universidade.

Em sua delicadeza, seu preto e branco e os poucos diálogos, "La Vida Útil - Um Conto de Cinema" dialoga muito com o cinema mudo. Porém, aqui insere-se a crueldade do mundo contemporâneo, a cinemateca agonizante com dificuldade de conseguir investidores (por não ser economicamente rentável) e a desilusão do protagonista solitário - muito bem retratado por Jorge em sua primeira incursão na frente da câmera.

Ganhador de diversos prêmios - nos festivais de Havana, Istambul e Lima - "La Vida Útil" é uma celebração do cinema que existe sem recursos e se nutre de sua própria força. A simplicidade é o que o move.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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