Hugh Grant e outras vítimas de escutas pressionam premiê por normas

domingo, 7 de outubro de 2012 18:39 BRT
 

LONDRES, 7 Out (Reuters) - O primeiro-ministro, David Cameron, disse que o Reino Unido iria evitar uma "intervenção estatal pesada" na imprensa nacional depois que vítimas de escutas telefônicas exigiram no domingo que ele se mantivesse aberto às recomendações de uma investigação sobre a ética na mídia.

O ator Hugh Grant, a cantora Charlotte Church e mais de 50 outras vítimas da intrusão da imprensa disseram em carta a Cameron que temiam que ele já houvesse decidido rejeitar a regulação legal da mídia antes que as conclusões de um inquérito fossem publicadas.

Cameron disse que não iria prejulgar o inquérito e confirmou que havia dito a Grant que iria implementar as recomendações do trabalho desde que elas não fossem "insanas".

"Está bem claro que as pessoas sofreram abusos, as famílias e vidas de pessoas foram destruídas pela intrusão da imprensa. O status quo não é uma opção", disse à televisão BBC.

Cameron ordenou a investigação abrangente no auge de um escândalo no ano passado sobre escutas telefônicas ilegais feitas pelo tabloide News of the World, de Rupert Murdoch, já fechado, quando veio à tona que repórteres haviam grampeado o telefone de uma colegial assassinada.

O inquérito, liderado pelo juiz Brian Leveson, revelou a incapacidade do atual sistema de jornais britânico de autorregulamentação e deve recomendar um regime mais duro para garantir que as vítimas da intrusão da imprensa possam receber uma reparação justa.

Leveson ainda precisa publicar suas conclusões depois de oito meses de audiências, que terminaram em julho.

Cameron terá um caminho político difícil ao responder às recomendações para não ser acusado de menosprezar a liberdade de imprensa nem de ser suave com os excessos dos tabloides, principalmente dada sua relação próxima com duas pessoas acusadas no escândalo de escutas.

Seu ex-relações públicas Andy Coulson foi diretor do News of the World, assim como sua amiga Rebekah Brook, que depois dirigiu a rede News International, de Murdoch. O julgamento de ambos foi marcado para setembro do próximo ano.

"Não queremos uma intervenção estatal pesada. Temos que ter uma imprensa livre" , disse Cameron.

"Todos nós queremos colocar em vigor um sistema regulatório coerente. Esperamos que o juiz Leveson consiga resolver esse problema para nós, mas temos que o deixar fazer o seu trabalho primeiro", acrescentou.