Diários perdidos ajudariam a solucionar mistério da "jovem Mona Lisa"

segunda-feira, 8 de outubro de 2012 16:25 BRT
 

Por Robert Evans

GENEBRA, 8 Out (Reuters) - Um pacote de diários que teriam sido enviados pelo correio da Grã-Bretanha para os Estados Unidos nos anos 1960 poderiam fornecer uma pista vital sobre a origem de um polêmico quadro apresentado em Genebra no mês passado como a "Mona Lisa" original de Leonardo da Vinci.

Em uma reviravolta típica do mundo da arte, no entanto, os diários desapareceram e o endereço em Washington para o qual eles foram enviados parece nunca ter existido. As anotações, feitas no começo do século 20, eram do especialista e colecionador britânico Hugh Blaker.

"Esses papéis poderiam muito bem fornecer a chave para conhecer a procedência dessa versão da ‘Mona Lisa' em ao menos 150 anos", disse à Reuters o acadêmico Robert Meyrick, especialista em Blaker.

E, é claro, ajudar a estabelecer se a chamada variante "Isleworth" da pintura mais famosa do mundo, que está no Louvre de Paris, poderia de fato ser um retrato anterior - e de valor inestimável - feito por Leonardo da dama enigmática e sorridente.

Pintor mal sucedido que foi curador de museu e marchand e tinha a reputação de reconhecer obras perdidas dos antigos mestres, Blaker encontrou e comprou a "Mona Lisa mais jovem" em 1913. Mais tarde, contou que a compra se deu na casa de campo de um nobre em Somerset, no oeste da Inglaterra.

Certo de que se tratava de um Leonardo verdadeiro, ele o manteve em sua casa no subúrbio de Londres de Isleworth (dando-lhe uma identificação informal) até a morte dele, em 1936, quando a obra ficou para a sua irmã, Jane.

Mas Blaker não disse para ninguém o nome da casa de campo nem do vendedor. Meyrick, que foi convidado para a apresentação de Genebra para falar sobre o perito solteirão, deseja resolver o mistério para uma biografia que planeja escrever.

"Acho que ele deve ter colocado os detalhes nos diários dele", afirmou o professor em um email este mês desde a Universidade Aberystwyth, no País de Gales, onde ele é diretor da Escola de Arte.   Continuação...