9 de Outubro de 2012 / às 16:43 / em 5 anos

Feira de arte contemporânea em Londres olha para mestres do passado

Por Mike Collett-White

LONDRES, 9 Out (Reuters) - O mais surpreendente sobre a edição deste ano da semana Frieze de arte, que coloca Londres na vanguarda do mundo da arte contemporânea todo mês de outubro, é que há bastante arte antiga em exibição.

A Feira de Arte Frieze ocorre como de costume em uma tenda gigante no Regent’s Park, com 175 galerias cheias de compradores potenciais e milhares de amantes da arte contemporânea, dedicados a se atualizar com as últimas tendências em um mundo em rápida transformação.

E há também os eventos secundários ao redor da capital, projetados para atrair os compradores mais ricos do mundo -- leilões, feiras rivais, festas, inaugurações de galerias, exposições e vernissages discretas, longe da algazarra.

Mas ao contrário das edições anteriores, a feira que vai de 11 a 14 de outubro deste ano conta com um evento separado chamado Mestres Frieze, com 96 galerias que apresentam trabalhos feitos ao longo dos últimos 4 mil anos.

As razões para a mudança são comerciais e culturais.

Organizadores e galerias expositoras estão esperando mais negócios cruzados entre colecionadores de arte contemporânea e aqueles mais interessados em trabalhos mais antigos.

Eles também querem explorar a relação da arte com o passado, o que representa uma aceitação de que o que veio antes deve ser apreciado, bem como desafiado por jovens artistas iconoclastas.

“Acho que o que o torna interessante é o que vai sair de conversas com artistas contemporâneos”, disse Victoria Siddall, diretora da nova feira. “Torna-se evidente que muitos deles estão olhando para as obras que foram feitas há muito tempo.”

“Todas as galerias estão interessadas em encontrar novos clientes”, contou ela à Reuters. “Há galerias contemporâneas e de antigos mestres, e espero que haja um cruzamento. Seria ótimo para ampliar os horizontes das pessoas em termos de o que eles colecionam.”

COMPRADORES “MEDICI”

Esse cruzamento já está acontecendo.

Entre os clientes mais cobiçados das casas de leilões e galerias estão os chamados compradores estilo “Medici”, que adquirem arte de diferentes períodos e gêneros.

A Sotheby’s disse que 30 por cento dos compradores em seus leilões de obras de mestres antigos também tinham comprado em leilões de arte contemporânea, em comparação com sete por cento em 2007.

Não é por acaso que a casa está exibindo a obra de 1519 de Rafael “Cabeça de um Apóstolo”, que vale até 24 milhões de dólares, ao lado de obras de Jackson Pollock, Francis Bacon e Gerhard Richter, em sua sede de Londres esta semana.

Artistas também estão abraçando o olhar para o passado da Frieze. A feira tem organizado uma série de conversas reunindo grandes artistas contemporâneos com curadores importantes.

Para Mateus Slotover, que junto com Amanda Sharp começou a Feira de Arte Frieze em 2003, e lançou uma edição em Nova York este ano, o novo formato visual foi uma maneira de manter o evento fresco.

“Nós pensamos que é sempre bom inovar e experimentar coisas novas, uma vez que isso mantém as pessoas interessadas e animadas, e nos mantém interessados e animados também”, disse ele à Reuters.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below