18 de Outubro de 2012 / às 17:01 / 5 anos atrás

Guitarrista Joanne Shaw Taylor é "deusa" rara do blues-rock

Por Jeremy Gaunt

LONDRES, 18 Out (Reuters) - Os fãs de rock e blues que não ouviram Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan em seu auge não poderiam ter se sentido melhores ao ouvir uma encarnação do século 21, em Londres, esta semana.

Acordes com batidas de guitarra extasiaram o público no Leicester Square Theatre, quase que da mesma maneira que os falecidos “deuses do rock” costumavam fazer.

Só que a performance veio de uma “deusa”, Joanne Shaw Taylor, uma inglesa de 27 anos que mora em Detroit, cujo estilo musical e habilidades audaciosas de guitarra podem facilmente atrair uma segunda olhada daqueles que se deparam com ela despreparados.

A voz grave de blues e os longos cabelos loiros aumentam a sensação de que algo aqui não se encaixa ao molde esculpido por Hendrix, Vaughan, Jimmy Page ou Keith Richards.

Guitarristas mulheres de blues-rock são poucas, especialmente se nasceram em meados dos anos 1980, e podem hipnotizar seus ouvintes com uma versão de “Manic Depression”, de Hendrix, que faria o roqueiro original temer por seu sucesso.

“Não há tantas mulheres tocando guitarra”, disse Shaw Taylor à Reuters antes de entrar no palco. “Junto com a bateria, é um instrumento agressivo, masculino.”

Convidada a citar mulheres boas de guitarra, ela deu uma pequena lista que inclui Susan Tedeschi, Joan Jett e Bonnie Raitt. Respectivamente, elas estão em seus 40, 50 e 60 anos.

Shaw Taylor diz que isso pode estar mudando. Ela observou que os pais estão trazendo suas filhas jovens para ver seus shows.

Ela pegou sua primeira guitarra quando tinha 6 anos, atraída por ver seu próprio pai e irmão tocando, que gostavam de roqueiros como Deep Purple e Thin Lizzy. Mais tarde, quando ouviu Vaughan, o guitarrista texano que morreu em um acidente de helicóptero em 1990 e era conhecido por seus riffs elétricos frenéticos, ela foi definitivamente conquistada.

Seus dois primeiros álbuns foram quase que blues-rock puro. O mais recente, “Almost Always Never”, tende mais para o rock direto.

ANJO REAL

Shaw Taylor, que tem turnês planejadas no próximo ano para Nova Zelândia e Canadá, já tem seguidores firmes entre os fãs de blues-rock e uma reputação crescente que vai além disso.

Ela já passou da fase de tocar em clubes de blues para grandes teatros e, em junho, ganhou aparição global no concerto recheado de estrelas realizado fora do Palácio de Buckingham para o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth.

A cantora escocesa Annie Lennox, a quem ela não via há uma década desde que Shaw Taylor trabalhou com o ex-parceiro de Lennox no Eurythmics Dave Stewart, avisou em cima da hora para tocarem juntas.

“Foi o caos”, disse Shaw Taylor, sobre a rápida mudança de planos e a preparação para a performance.

Lennox cantou “There Must Be An Angel (Playing With My Heart)” usando um grande par de asas de anjo. Shaw Taylor fez o mesmo quando surgiu para um solo diante de, provavelmente, o maior público que já teve.

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