Diários de espião britânico oferecem visão sobre vida na Guerra Fria

sexta-feira, 26 de outubro de 2012 13:53 BRST
 

Por Alessandra Rizzo e Isla Binnie

LONDRES, 26 Out (Reuters) - Os diários divulgados nesta sexta-feira de um dos mais altos oficiais de inteligência britânica revelaram trechos da vida cotidiana da espionagem, como, por exemplo, quando o espião da Guerra Fria Klaus Fuchs foi ordenado a lançar uma revista em um jardim de Londres para marcar um encontro com seu contato russo.

Fuchs, um físico nuclear que foi um dos espiões mais valiosos da União Soviética antes de ser preso, em 1950, teve que marcar a página 10 da revista para mostrar que queria se encontrar com seu contato, que iria responder com uma marca de giz em um poste de luz local.

Os 10 diários de Guy Liddell, então vice-diretor-geral da agência de espionagem doméstica MI5, oferecem uma perspectiva privilegiada do surgimento de um sistema político que iria dominar o mundo nas décadas seguintes.

Liddell incansavelmente documentou seus negócios entre 1945 e 1953 com o governo britânico e outros funcionários de inteligência, incluindo o governo de Clement Attlee, e os "Cinco de Cambridge", agora notórios agentes duplos que Liddell menciona com carinho.

Especialistas dizem que esses diários, que começam de onde os diários de Liddel divulgados anteriormente sobre a Segunda Guerra Mundial terminaram, contribuem para a compreensão do período porque eles vêm de uma fonte oficial com uma mente afiada e alto nível de acesso a informações confidenciais.

"Nós estamos obtendo uma imagem do que estava acontecendo no centro do mundo da inteligência, bem como aconteceu, de uma pessoa no topo, escrevendo com total sinceridade, e alguém que conhecia muitos dos indivíduos envolvidos", disse Andrew Lownie, jornalista e escritor sobre o mundo da inteligência. "Nós temos todo o início da Guerra Fria."

As negociações bizarras das agências de inteligência levam Liddell a contar histórias de Charlie Chaplin, "discos voadores" e um "homem luminoso" que "brilha no escuro" após sua exposição ao plutônio em uma instalação nuclear, que ele ficou até tarde da noite ditando para sua secretária.

Os diários também oferecem detalhes do que estava acontecendo no interior das agências de inteligência quando Donald Maclean e Guy Burgess, dois dos agentes duplos chamados de "Cinco de Cambridge" que passaram segredos para Moscou, fugiram da Grã-Bretanha.   Continuação...