ESTREIA-Em "Frankenweenie", Tim Burton homenageia antigos filmes de monstros

quinta-feira, 1 de novembro de 2012 13:28 BRST
 

SÃO PAULO, 1 Nov (Reuters) - É difícil assistir a "Frankenweenie" sem pensar que há um quê de autobiográfico do seu diretor e criador, Tim Burton.

A animação, toda em preto-e-branco, começa com um garoto mostrando aos pais um filminho em Super 8 repleto de criatividade e ingenuidade que fez com seus brinquedos e seu amado cachorro, Sparky. O gosto pelo estranho --não só no seu filminho, como também na vida-- faz lembrar as outras criações do cineasta, autor de filmes como "Edward Mãos de Tesoura", "Ed Wood" e "Alice no País das Maravilhas".

O longa "Frankenweenie" parte de um curta do cineasta em meados dos anos de 1980, tendo sua ideia original bastante ampliada num roteiro assinado por John August.

Mais do que uma homenagem a antigos filmes de terror, o desenho é uma história sobre um garoto apaixonado por seu cão, que lembra muito Johnny Depp em "Edward Mãos de Tesoura", não apenas fisicamente. Incompreendido, com poucos amigos, ele é sensível e inteligente.

O protagonista é Victor Frankenstein (dublado por Charlie Tahan), que, como o personagem do romance homônimo de Mary Shelley, é dado a experimentos. O mais ousado deles acontece quando seu amado cachorrinho morre atropelado.

O cenário é uma cidade fictícia chamada New Holland, subúrbio como qualquer outro criado por Burton: sombrio e habitado por gente estranha. Como o prefeito (Martin Short), sua sobrinha Elsa (Wynona Ryder), uma outra garota (Catherine O'Hara) cujo gato tem estranhos sonhos premonitórios, e Edgar (Atticus Shaffer), garotinho desesperado para se tornar o melhor amigo de Victor.

Os pais de Victor (também dublados por Short e O'Hara) preferiam que o filho fosse mais sociável, e por isso o obrigam a jogar beisebol. Daí acontece o acidente que vitima Sparky e leva o garoto a tomar medidas drásticas para ressuscitar seu bichinho.

Num primeiro momento, Victor precisa esconder seu cachorro remendado -- uma clara homenagem ao monstro Frankenstein, interpretado diversas vezes no cinema por Boris Karloff. Com o tempo, a verdade acabará vindo à tona, com resultados até perigosos.

Feito num preto-e-branco que valoriza o cinza --embora os óculos da exibição em 3D tendam a esverdear a imagem--, "Frankenweenie" é uma festa de criatividade tanto nas suas figuras, sempre estranhas, deslocadas, quanto na trama repleta de referências cinematográficas, especialmente a filmes com monstros, como Godzila, e personagens sinistros, como o Corcunda de Notre-Dame.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb