ESTREIA-Isabelle Huppert emociona no drama filipino "Em Nome de Deus"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012 11:46 BRST
 

SÃO PAULO, 8 Nov (Reuters) - Mais conhecido cineasta de seu país, o filipino Brillante Mendoza ("Lola") parte de uma história real, o sequestro de dezenas de reféns por separatistas islâmicos no resort Dos Palmas, na ilha de Palawan, em 2001, para a inspiração do drama "Em Nome de Deus". Estrelado pela atriz francesa Isabelle Huppert, o filme concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2012.

Duas vezes concorrente à Palma de Ouro em Cannes, por "Serbis" (2008) e "Kinatay" (2009), quando venceu o troféu de melhor diretor, Mendoza empresta à narrativa um clima de urgência documental, seguindo de perto o martírio dos reféns, cujo cativeiro prolongou-se por um ano.

Nem todos sobreviveram --houve baixas também do lado dos terroristas--, por conta não só de execuções promovidas pelos captores, como de desastradas intervenções do Exército filipino, que parecia mais preocupado em liquidar os radicais do que resgatar as vítimas.

Arrastados de um canto para outro no meio da selva, sob intenso calor e chuvas torrenciais, sem abrigo, água e comida regulares, enfrentando perigos como cobras e escorpiões, os sequestrados vivem o inferno.

A missionária cristã Thérèse Bourgoine (Isabelle Huppert) tenta manter o autocontrole, defendendo uma colega idosa, Soledad (Rustica Carpio, uma das avós protagonistas de "Lola", único filme do diretor lançado comercialmente até agora no Brasil).

Liderados por Abu Saiyed (Raymond Bagatsing), os sequestradores procuram escapar das balas das autoridades e também obter abrigo e mantimentos. No caminho, invadem um hospital, onde obrigam médicos e enfermeiras a prestar atendimento aos feridos, que já não são poucos. Ao escaparem de nova investida do exército, arrastam consigo algumas enfermeiras.

Fiel ao seu estilo naturalista, Mendoza joga o espectador no centro da ação, levando-o a compartilhar das aflições dos reféns, que são ainda maiores depois de terem conhecimento dos atentados do 11 de Setembro em Nova York -- fato ostensivamente comemorado por seus raptores, simpáticos a Osama Bin Laden.

Ainda que várias vítimas sejam cristãs, o filme não coloca ênfase excessiva na questão religiosa. Centra-se bem mais no problema humano em si, tendo como condutora das atenções uma Isabelle Huppert que demonstra à perfeição a fragilidade de uma personagem que faz de tudo para não se desesperar - mas é capaz de chegar às lágrimas diante das câmeras de TV, no dia em que uma equipe jornalística é admitida no cativeiro, para uma reportagem sobre uma questão que durou demais por falta de intervenções sensatas, que permitissem economizar tempo e salvar algumas vidas.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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