ESTREIA-"E agora, aonde vamos?" mostra a mulher como único lado para a paz

quarta-feira, 14 de novembro de 2012 17:13 BRST
 

SÃO PAULO, 14 Nov (Reuters) - A diretora franco-libanesa Nadine Labaki fez um "experimento" numa aldeia de uma região árida do Líbano para tentar entender como as relações humanas podem ser envenenadas pelos motivos mais banais e transformar a convivência harmônica em verdadeiro campo minado.

Como cristãos e muçulmanos daquela região, que sempre conviveram pacificamente e mantiveram relações de amizade sincera, podem, ao riscar de uma fagulha, se transformar em inimigos mortais.

"E agora, aonde vamos?", que estreia nesta quinta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Salvador, explora de forma engenhosa, com atores não profissionais e doses de humor, como o partidarismo político e as crenças religiosas podem ser um combustível poderoso na destruição da paz, principalmente numa região tão sensível a essas disputas, como o Oriente Médio.

E, de forma curiosa, como ficar ao largo dos problemas --como se eles não existissem-- pode ser a solução para que não se manifestem.

Pois foi o que ocorreu numa aldeia libanesa que, logo nas primeiras imagens, mostra a excitação dos habitantes com a instalação de um aparelho de TV comunitário que, como todos esperam, trará alguma novidade à vida modorrenta que levam.

Num território que ainda possui minas terrestres enterradas --lembrança do clima bélico do passado que parece superado, ou em estado de hibernação, como veremos mais adiante-- um pouco de diversão não faz mal a ninguém, não é mesmo?

Na prática não é bem isso o que ocorre, pois, junto com os programas de entretenimento, a TV também mostra o noticiário político, com os enfrentamentos armados entre cristãos e muçulmanos em outras regiões. As mulheres querem mudar de canal, pois sabem que o ambiente em que vivem pode ser contaminado pelas imagens da guerra.

Na pequena aldeia coexistem na praça central uma mesquita e um templo católico, ponto de encontro dos moradores quando se dirigem para as orações. Bem perto do único bar local, que está sendo reformado por Amale (a própria diretora Nadine Labaki) e outro ponto de encontro apartidário. Todos se conhecem há várias gerações e não existe motivo para desentendimentos.

Mas o noticiário da TV parece ter despertado nos homens aquele germe belicista que estava adormecido. Vizinhos começam a brigar, adolescentes se desentendem, enquanto as mulheres se preocupam com essa escalada.   Continuação...