22 de Novembro de 2012 / às 14:32 / 5 anos atrás

ESTREIA-Clint Eastwood garante interesse na comédia dramática "Curvas da Vida"

SÃO PAULO, 22 Nov (Reuters) - Uma ligeira dificuldade para o público brasileiro se ligar de imediato em “Curvas da Vida” é por se tratar de um filme sobre beisebol, esporte com escassa popularidade no país.

Membro do elenco, Clint Eastwood participa da premiere do filme "Curvas da Vida" em Los Angeles, Califórnia. Uma ligeira dificuldade para o público brasileiro se ligar de imediato em "Curvas da Vida" é por se tratar de um filme sobre beisebol, esporte com escassa popularidade no país. A compensação é contar na liderança do elenco com o veterano Clint Eastwood, de 82 anos, voltando a atuar depois de quatro anos --não o fazia desde "Gran Torino" (2008), quando tinha prometido não voltar a aparecer diante da câmera. 19/09/2012 REUTERS/Mario Anzuoni

A compensação é contar na liderança do elenco com o veterano Clint Eastwood, de 82 anos, voltando a atuar depois de quatro anos --não o fazia desde “Gran Torino” (2008), quando tinha prometido não voltar a aparecer diante da câmera.

A promessa não cumprida do premiado diretor de “Os Imperdoáveis” (1993) e “Menina de Ouro” (2004) --que lhe deram o Oscar de direção-- acaba sendo um dos principais trunfos deste primeiro roteiro de Randy Brown e também o filme de estreia de Robert Lorenz, habitual produtor e diretor-assistente de Eastwood, nesta segunda função desde “As Pontes de Madison” (95). O diretor de fotografia, Tom Stern, também é constante colaborador dos dois.

Portanto, em termos de equipe e tipo de história Eastwood está em casa em “Curvas da Vida” --que pode nem ser seu filme mais brilhante, mas garante uma eficiência dramática e humor mais do que suficientes para torná-lo prazeroso de assistir. Ainda mais contando com Amy Adams dividindo a cena com Eastwood, no papel de sua filha, Mickey.

Há muito tempo o velho caubói Eastwood percebeu a vantagem de ter como adversária no duelo emocional e verbal uma personagem feminina --lembre-se, por exemplo, de Hilary Swank em “Menina de Ouro”. Indicada ao Oscar em “Dúvida” (2008) e em “O Vencedor” (2010), Amy Adams é outra contendora à altura, sem precisar usar os punhos.

Na verdade, é a personagem de Mickey quem mais se transforma ao longo da história, permitindo revelar os muitos recursos desta atriz, inclusive o charme e a beleza.

Vivendo uma advogada bem-sucedida, às vésperas de transformar-se em sócia do escritório onde trabalha, ela se desloca de sua zona de conforto para ir ao encontro do pai, com quem viveu sempre um relacionamento turbulento.

O motivo desta virada é o afeto. Gus (Clint Eastwood), um calejado olheiro de beisebol a serviço do clube Atlanta Braves, está sofrendo de um severo problema de vista, possivelmente passível de operação.

Mas ele nem quer ouvir falar de sair de cena. Prefere encarar mais uma viagem, à Carolina do Norte, dirigindo arriscadamente o próprio carro velho, para avaliar o potencial de um garoto que pode ser a mais nova contratação do clube, Bo Gentry (Joe Massingill).

Avisada por um velho amigo do pai e seu chefe, Pete Klein (John Goodman), de que o próprio emprego dele corre riscos, Mickey hesita antes de partir ao seu encontro para ajudá-lo. O beisebol, aliás, não lhe é nada estranho pois, desde a morte de sua mãe, o pai costumava arrastá-la, ainda criança, pelos bastidores dos jogos.

Encarnando seu melhor mau-humor, Gus recebe mal a tentativa de apoio da filha, tentando dispensá-la. Mas a teimosia é um traço comum entre ambos e ela persiste, ainda que tendo que desdobrar sua atenção para não perder de vista o processo que pode garantir sua promoção em Atlanta.

O melhor do filme se passa nesse conflito pai-filha, que não tem maiores segredos, tal como o resto do filme. Até mesmo o interesse romântico para ela representado pelo ex-jogador Johnny (Justin Timberlake) é pura rotina.

Criando um mundo confortável para o espectador, “Curvas da Vida” não faz segredo de quem são os bons e os maus, nem de que os últimos devem esperar punição. Mesmo assim, semeia pequenas surpresas para sustentar alguma renovação do encanto da fórmula do bom e velho melodrama.

É certo que nenhum brasileiro deve sentir-se motivado a tentar entender mais de beisebol ao final da projeção. E isso não terá a menor importância.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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