ESTREIA-Médico de "Lost" é serial killer em "A Sombra do Inimigo"

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 10:32 BRST
 

SÃO PAULO, 6 Dez (Reuters) - A primeira missão impossível do ator Tyler Perry no drama policial "A Sombra do Inimigo" é tentar substituir o carismático veterano Morgan Freeman, que já interpretou o investigador e psiquiatra Alex Cross em dois filmes marcantes, "Beijos que Matam" (1997) e "Na Teia da Aranha" (2001).

Perry não se sai mal do desafio, embora não se possa dizer o mesmo do resultado geral da nova adaptação da obra de James Patterson. Dirigida por Rob Cohen (de "Velozes e Furiosos"), a nova aventura do psiquiatra escorrega na mão pesada numa trama em que a violência explícita ultrapassa algumas vezes o limite do razoável.

A falta de sutileza é mais marcante na figura do vilão (Matthew Fox). O ex-intérprete do médico Jack Shepard na série "Lost" está, aliás, irreconhecível, 20 kg mais magro e quase puro músculo, compondo um serial killer sádico e com alvos precisos -- que não age por conta própria e sim a mando de poderosos, cuja identidade não será tão difícil imaginar mais adiante.

Ele começa o filme penetrando no fechado círculo das lutas ilegais, que movimentam dinheiro alto em apostas, sob a identidade de "Açougueiro de Sligo". O físico franzino do lutador engana o primeiro adversário, que paga caro por subestimar o novato. Neste ambiente, ele não tarda a deixar um rastro de sangue que demonstra que o pseudônimo de "açougueiro" tinha muita razão de ser.

Entram em cena Alex Cross (Perry) e seu parceiro, Thomas Kane (Edward Burns), tentando decifrar os indícios do primeiro banho de sangue do recém-batizado "Picasso" -- uma injúria ao celebrado pintor espanhol, mas cujo motivo fica muito claro pelos métodos do matador, que também tem o hábito de desenhar detalhada e obsessivamente seus planos.

Como nas demais histórias estreladas pelo personagem Alex Cross, as mulheres correrão sempre os maiores riscos, inclusive a parceira dos detetives, Monica Ashe (Rachel Nichols), e a própria esposa de Cross, Maria (Carmen Ejogo), que está grávida.

Ambientada em Detroit, a história tem cenas marcantes em alguns dos cenários típicos da cidade, como um eletrizante enfrentamento entre Cross e o vilão nas ruínas do Michigan Theatre, no que resta do magnífico edifício construído em 1924 pela empresa Rapp & Rapp e transformado em estacionamento.

No mais, a história sucumbe a uma procura de submissão aos clichês do gênero policial, apagando pouco a pouco o diferencial do arguto Cross -- o conhecimento da psiquiatria. Tocado emocionalmente, ele passa a agir cada vez mais como um vingador para acertar as contas com o alucinado psicopata.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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