ESTREIA-Candidato chileno ao Oscar, "No" retrata final da ditadura de Pinochet

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012 09:43 BRST
 

SÃO PAULO, 27 Dez (Reuters) - Grande vencedor da Quinzena dos Realizadores de Cannes 2012 e candidato chileno a uma vaga entre os candidatos do Oscar de filme estrangeiro 2013, "No", de Pablo Larraín, encerra uma trilogia de exorcismo político da herança maldita da ditadura de Augusto Pinochet.

O diretor havia abordado o tema em "Tony Manero" (2008) e "Post Mortem" (2010), este último ainda inédito no circuito comercial brasileiro.

Em "No", Larraín escalou o mexicano Gael García Bernal para estrelar uma ficção que reconstitui o histórico plebiscito de 1988, convocado por pressão internacional e em que Pinochet pretendia conseguir um aval popular para sua continuidade no poder depois de 15 anos do golpe. Mas acabou derrotado, abrindo caminho à redemocratização.

Gael interpreta René Saavedra, um publicitário, filho de um exilado, que cresceu longe do país e foi convidado pela esquerda para orientar a campanha do "não" ao regime.

Habilmente, o roteiro de Pedro Peirano desenvolve as diversas posições em jogo, dentro de uma esquerda extremamente dividida, mas que acaba cedendo aos apelos de René no sentido de dar uma roupagem mais moderna e otimista à campanha.

Ou seja, criando jingles mais leves e deixando em segundo plano os slogans políticos clássicos e a cobrança pelos mortos e desaparecidos, o que obviamente gera polêmica. Mas esse tom é decisivo para a conquista dos indecisos e a derrota de Pinochet.

Encabeçar a campanha do "não" à ditadura é uma decisão arriscada para René. Não só porque os mecanismos repressivos do regime estão todos em vigor, como pelo fato de que seu patrão, Lucho Guzmán (Alfredo Castro, ator habitual de Larraín), orienta a campanha oposta.

Habilmente, o filme mostra como o plebiscito foi abrindo caminho à queda de Pinochet -que não acreditava na possibilidade de ser derrotado. Quando o governo acordou para o sucesso da campanha oposicionista e o risco real de uma derrota, recorreu a golpes baixos, intimidações, perseguições. Sem sucesso.

Larraín permite ao espectador contemporâneo mergulhar naquele período usando, por exemplo, muitos trechos da campanha televisiva real.   Continuação...