ESTREIA-"Sete Psicopatas e um Shih Tzu" fala de cinema com humor e violência

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013 13:44 BRST
 

SÃO PAULO, 3 Jan (Reuters) - "Sete Psicopatas e um Shih Tzu", nova comédia do inglês Martin McDonagh ("Na Mira do Chefe"), encontra suas origens tanto no cinema violento de Quentin Tarantino quanto na metalinguagem bizarra de Charlie Kaufman (especialmente, "Adaptação").

O cenário é Los Angeles, combinando o mundo do cinema e a máfia local. O irlandês Colin Farrell vive um roteirista chamado Marty que sofre de bloqueio criativo, passa o tempo brigando com a namorada (Abbie Cornish) e bebendo com seu melhor amigo, Billy (Sam Rockwell).

Antes de ser cineasta, McDonagh é também um dramaturgo de sucesso e isso se materializa nos diálogos -- pouco realistas, mas, ao mesmo tempo, bem sacados e, muitas vezes, engraçados. A trama gira em torno da tentativa de Marty escrever um filme, que coincidentemente se chama "Sete Psicopatas", e da espiral de violência que isso desencadeia.

O que há de mais interessante no longa é como personagens vividos por atores de renome, como Michael Pitt, Harry Dean Stanton, Tom Waits e outros, entram e saem de cena sem a menor piedade e, muitas vezes, perdendo sangue e/ou a vida. Mas são o veterano Christopher Walken e Woody Harrelson que encontram mais tempo para deixar outros personagens sangrando.

Walken é uma figura misteriosa, cujo passado, quando vier à tona, poderá causar muito estrago. Já Harrelson é um gângster apaixonado pelo seu cãozinho shih tzu sequestrado por Billy, provocando muita violência.

O mundo onde vivem os personagens de McDonagh é um ambiente de perdedores que acreditam na possibilidade de sucesso fácil, por meio de contravenções. Por isso mesmo, quase sempre se afogam em seu próprio sangue, porque mexem com as pessoas erradas - gângsters. Esses são os elementos tarantinescos do filme. A parte Charlie Kaufman vem de como a realidade de Marty encontra espaço em sua ficção, no modo como as duas se confundem e misturam.

O humor de McDonagh atravessa o Atlântico e encontra seu espaço no cenário paradoxal da indústria do cinema (retratada dentro do filme). Com o sangue jorrando, o diretor diz algo sinistro, parece pedir para não ser levado a sério, mas também quer bancar o espertinho, fazer uma crítica à indústria do cinema - mas nem sempre parece saber para onde apontar sua mira.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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