Jornalistas encerram greve contra censura na China

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 11:04 BRST
 

Por James Pomfret

GUANGZOU, China, 10 Jan (Reuters) - Um semanário chinês no centro dos protestos contra a censura na China chegou nesta quinta-feira às bancas, depois que seus jornalistas suspenderam uma greve, em meio a novos apelos para que o Partido Comunista abrande seu controle sobre a imprensa.

A greve no Semanário do Sul, na próspera província de Guangdong, começou depois que censores alteraram um editorial de duas páginas na edição de Ano Novo. Na ocasião, apelos pela proteção a direitos constitucionais foram substituídos por comentários de louvor ao regime.

A rara revolta na redação de um dos mais respeitados e liberais jornais chineses teve grande repercussão nacional, levando blogueiros com milhões de seguidores --como a atriz Yao Chen e o escritor Han Han-- a fazerem apelos pela liberdade de expressão.

A resposta do Partido Comunista a esse movimento será um importante indicativo sobre eventuais inclinações reformistas do novo dirigente Xi Jinping.

Na quinta-feira, agentes à paisana retiraram meia dúzia de manifestantes da frente da sede do Semanário do Sul, gritando com eles ao empurrá-los para dentro de veículos, sob o olhar de dezenas de policiais fardados.

Ao longo de toda a semana, a calçada em frente à publicação foi cenário de confrontos entre conservadores e liberais. Esquerdistas carregando imagens de Mao Tse-tung e bandeiras vermelhas da China repetidamente intimidaram os outros manifestantes, acusando-os de traição.

"Depois de termos a barriga cheia, queremos dizer mais. Isso é normal", disse Ye Qiliang, um jovem de jaqueta marrom, contrário aos maoístas, durante um protesto noturno. "A imprensa é a voz do povo. Agora somos todos o povo do Semanário do Sul."

Embora a publicação do jornal na quinta-feira sugira uma tentativa de trégua entre os jornalistas e os censores, a edição traz sutis sinais de resistência.   Continuação...