ESTREIA-Paul Thomas investiga de forma cínica culto religioso em "O Mestre"

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013 16:44 BRST
 

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) - "O Mestre", título do novo trabalho do cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson, é interpretado com som e fúria por Philip Seymour Hoffman. Parte guru religioso, parte homem de negócios, ele é a mente brilhante por trás de uma seita transcendental que, por meio de hipnose, incentiva seus seguidores a reencontrar traumas e fatos do passado (desta e de outras vidas).

Ele se chama Lancaster Dodd e, logo no começo do filme, encontra em Freddie Quell (Joaquin Phoenix) o seguidor perfeito, disposto não apenas a aceitar suas ideias, como colocá-las em prática e também ser uma espécie de leão de chácara. Veterano da Segunda Guerra Mundial, o rapaz é a mente perturbada que vem em direção ao mestre em busca de alívio. Mas este jamais pode se concretizar para ele.

Escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos poucos cineastas em seu país que realmente merece o status de autor, "O Mestre" é um filme que gera, antes de mais nada, ansiedade: seria o diretor capaz de se superar depois do magnífico "Sangue Negro" (2007)?

Com este novo trabalho, que estreou no Festival de Veneza 2012, de onde saiu com prêmio de direção e ator, para Seymour Hoffman e Phoenix, não resta dúvida (se é que ainda restava) da capacidade do cineasta.

Aqui, trata-se de uma história inspirada em L. Ron Hubbard, criador da Cientologia (uma espécie de culto que atrai famosos de Hollywood, entre eles Tom Cruise e John Travolta).

Mas este é apenas o ponto de partida para uma narrativa que, na forma, pode parecer um melodrama dos anos de 1950 (época em que, aliás, o filme se passa), como os de Max Ophuls e Douglas Sirk, para na trama mergulhar num tom bem mais sombrio do que uma conturbada história de amor mal resolvida: a essência humana.

Depois de voltar para casa, Freddie fica perdido na vida. As primeiras cenas dão conta de sua incapacidade de se readaptar, ter um emprego ou criar vínculos. Seu consolo é a bebida alcoólica, nem que seja uma beberagem que ele mesmo produz, e que, por acaso, o leva a se apegar ao Mestre e sua esposa, Peggy (Amy Adams).

A partir de então, mergulha numa espiral sem volta, numa viagem que tem como guia Dodd, que lhe diz: "Você será meu protegido, minha cobaia".

A relação transita entre um arquétipo de pai e filho, mas também há uma competição entre os personagens, que pode refletir-se em algo semelhante entre os dois atores, na disputa por se tornar centro das cenas, tamanha a voltagem das interpretações.   Continuação...

 
Cineasta norte-americano Paul Thomas Anderson é visto durante pré-estréia do filme "O Mestre" durante o Festival de Veneza. "O Mestre", título do novo trabalho de Anderson, é interpretado com som e fúria por Philip Seymour Hoffman. 01/09/2012 REUTERS/Max Rossi