Palestinos vibram com documentário indicado ao Oscar

terça-feira, 29 de janeiro de 2013 12:12 BRST
 

Por Noah Browning

RAMALLAH, Cisjordânia, 29 Jan (Reuters) - O filme "5 Broken Cameras", indicado ao Oscar de melhor documentário neste ano, foi exibido aos palestinos pela primeira vez na segunda-feira, deixando a plateia otimista com a repercussão global do longa-metragem para sua luta contra a ocupação israelense.

Com uma câmera amadora e quase sem orçamento, o jornalista Emad Burnat passou cinco anos documentando protestos semanais contra confiscos de terras realizados por forças israelenses e colonos judeus na aldeia palestina de Bil'in, na Cisjordânia ocupada.

Vizinhos são mortos nos protestos, e equipamentos de demolição pontuam a paisagem, enquanto o cineasta captura a rápida perda da inocência do seu filho pequeno, como mostram as primeiras palavras que ele aprende: "muro" e "exército".

"Este é um filme para aqueles que foram martirizados. É maior do que eu e maior do que Bil'in. Mais de 1 bilhão de pessoas acompanham o Oscar, e agora saberão da nossa luta", disse Burnat após a exibição.

"5 Broken Cameras" concorre com outros quatro filmes, incluindo o documentário israelense "The Gatekeepers", reunindo depoimentos de seis ex-chefes de serviços de inteligência israelenses.

Embora com perspectivas muito diferentes, os dois documentários compartilham de uma mensagem surpreendentemente similar: que a ocupação israelense na Cisjordânia é moralmente errada e deve acabar.

O filme de Burnat foi aplaudido de pé na pré-estreia em Ramallah, capital administrativa dos palestinos.

"O filme mostra ao mundo todo o que é a ocupação. Ela eliminou a felicidade do rosto do menino numa idade muito tenra. Essa tem sido a experiência para todos nós", disse o taxista Ahmed Mustafa, que levou mulher e filho à sessão. "Mas nem tudo é ruim. Ele mostra que há progressos, que há vitórias, e que nossa causa ainda está viva e avançando."   Continuação...

 
Cartaz de divulgação do filme "5 Broken Cameras", indicado ao Oscar de melhor documentário neste ano, é visto em Ramallah, na Cisjordânia. O filme foi exibido aos palestinos pela primeira vez na segunda-feira, deixando a plateia otimista com a repercussão global do longa-metragem para sua luta contra a ocupação israelense. 28/01/2013 REUTERS/Mohamad Torokman