ESTREIA-Nem bons atores salvam o policial "Caça aos Gângsteres"

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 16:27 BRST
 

SÃO PAULO, 31 Jan (Reuters) - "Caça aos Gângsteres", de Ruben Fleischer, aposta numa bela direção de arte e num elenco recheado de bons atores, como Sean Penn ou Ryan Gosling, para, afinal, esbarrar numa série de clichês que impedem a história de decolar.

Fleischer, cujo talento foi muito mais bem usado na comédia "Zumbilândia", não ultrapassa o pastiche de filmes melhores do gênero policial.

Os clichês do gênero estão todos lá: gângster malvado (Penn), detetive durão (Josh Brolin), detetive Don Juan (Gosling) que seduzirá a femme fatale de bom coração (Emma Stone), na Los Angeles do final dos anos de 1940.

Não há uma ideia original no roteiro assinado por Will Beall, baseado num romance de Paul Lieberman. Esse é o típico filme que Hollywood costuma desovar -tal qual os cadáveres desse longa- no começo do ano, pouco antes do Oscar, oferecendo um plano B aos espectadores que não conseguem ingressos para os filmes indicados e decidem ver outra coisa para não perder a viagem.

A trama gira em torno da ascensão do esquadrão do departamento de polícia de Los Angeles e seu combate contra o mafioso mais poderoso da cidade, Mickey Cohen (Penn). Liderada por John O'Mara (Brolin), a luta não é fácil -especialmente se voltarem à memória bons filmes bem melhores, como os recentes "Los Angeles - Cidade Proibida" e "Inimigos Públicos"; ou clássicos do gênero, como "Chinatown" e "Os Intocáveis".

Cansado dos artifícios de Mickey, o esquadrão declara guerra e as ruas da cidade são tomadas por tiros e sangue. A partir desse confronto, não se consegue mais fugir do esquematismo dos tiroteios promovidos alternadamente por cada lado da lei.

Os personagens, o tema e a própria trama nas mãos de escritores competentes do gênero -como Raymond Chandler ou James Ellroy- teriam um outro ritmo, uma outra abordagem. Mas, nesta versão, o resultado mais parece um baile a fantasia.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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