Colecionador diz ter achado cabeça de nu famoso de Coubert

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013 20:27 BRST
 

Por Marine Pennetier

PARIS, 7 Fev (Reuters) - Um colecionador de arte francês diz ter encontrado a cabeça correspondente ao corpo retratado no famoso quadro "A Origem do Mundo", tela do século 19 do artista Gustave Courbet que retrata uma genitália feminina.

Jean-Jacques Fernier, estudioso da obra de Courbet, disse à Reuters que o retrato sem assinatura de uma cabeça feminina que apareceu nesta semana na revista Paris Match foi retirado da tela mais famosa do artista.

Um colecionador identificado pela Paris Match apenas como "John" disse ao semanário que adquiriu a cabeça de um antiquário francês no começo de 2010, por 1.400 euros (1.900 dólares), após ver a obra perdida entre antigos móveis e bibelôs.

Fernier disse que a pintura parecia ter sido arrancada de uma obra maior, e que a trama da sua tela é idêntica à da obra explicitamente erótica de 1886, que mostra apenas o torso de uma mulher nua deitada de costas, com as pernas entreabertas.

"O (museu) Orsay tem um pedaço da obra , e esse rosto é o outro pedaço", afirmou Fernier, que considera que Courbet cortou a cabeça para proteger a modelo - supostamente a irlandesa Joanna Hiffernan, que havia sido amante do pintor James Whistler.

Acredita-se que a provocativa obra de Courbet, expoente do movimento realista, tenha sido uma encomenda do diplomata turco-egípcio Khalil-Bey, extravagante figura da sociedade, que mantinha o quadro no seu banheiro, atrás de uma cortina verde.

"John" disse à Paris Match que havia levado a pintura a vários especialistas até que uma lhe disse estar convencida de que se tratava de uma obra de Courbet. Isso o levou a estudar o pintor e notar a semelhança de tom com "A Origem do Mundo", tela exposta desde 1995 no museu d'Orsay, em Paris.

Em se tratando da cabeça da tela famosa, a pintura de "John" pode valer cerca de 40 milhões de euros (54 milhões de dólares), disse a Paris Match. Ele espera alugar a obra ao Orsay, para que as duas obras possam ser expostas juntas, segundo a revista.

Mas o jornal Le Figaro duvidou da história, observando não haver registros de que "A Origem" tivesse tido uma versão maior, e citando especialistas céticos quanto à teoria de Fernier.

O museu d'Orsay não quis se pronunciar.