ESTREIA-"A hora mais escura" relata caçada de uma década a Osama bin Laden
SÃO PAULO, 14 Fev (Reuters) - No jargão militar, "zero dark thirty" significa meia-noite e meia, horário do começo da operação que culminou com a morte de Osama bin Laden.
Esse é o título original de "A Hora Mais Escura", drama de Kathryn Bigelow, indicado a 5 categorias no Oscar (entre elas melhor filme). O longa, sobre a caçada ao líder terrorista, morto em maio de 2011, forma um díptico interessante junto ao trabalho anterior da diretora, o oscarizado "Guerra ao Terror" (2008).
A simetria entre os dois longas se dá pelo 11 de Setembro. Com um tom documental que se mantém por todo o filme, "A Hora Mais Escura" começa com os ataques às Torres Gêmeas e termina com a morte de Bin Laden --ou seja, 10 anos depois.
Assim, a trama, assinada por Mark Boal --ganhador do Oscar de roteiro por "Guerra ao Terror", em 2010--, acompanha um ciclo, embora o roteiro tenha começado a ser desenvolvido antes da morte do líder terrorista, passando por diversas adaptações.
Jessica Chastain ("A Árvore da Vida") interpreta a protagonista, Maya, agente da CIA, para quem a caça a Osama se torna uma missão pessoal, à qual dedica sua vida --por isso, um grande vazio segue-se ao cumprimento da missão.
Antes disso, Maya (personagem baseada em diversas figuras reais, entre elas uma agente que até hoje vive escondida) passará por diversas provas de fogo.
A primeira se dá logo na chegada ao Oriente Médio, onde acaba fazendo parte de um interrogatório que envolve tortura.
Uma cena controversa, que levou a CIA real a investigar os produtores do filme para saber de onde conseguiram esse tipo de informação --evidentemente, a agência negou que esse tipo de procedimento tenha ocorrido.
Há um momento muito significativo no longa, em que, na TV, Barack Obama, já presidente dos Estados Unidos, diz que o país não pratica tortura. O rosto de Maya torna-se inexpressivo nesse momento. Continuação...

