ESTREIA-Dustin Hoffman estreia como diretor em comédia musical "O Quarteto"

quinta-feira, 7 de março de 2013 09:34 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Mar (Reuters) - Ator veterano e premiado, o norte-americano Dustin Hoffman esperou passar dos 75 anos e dos 70 filmes para estrear na direção. Em compensação, é uma estreia macia e doce a que ele realiza na comédia dramática "O Quarteto", na boa companhia de um excelente elenco britânico de sua geração.

Adaptando para a tela sua própria peça, o roteirista sul-africano (radicado na Inglaterra) Ronald Harwood - vencedor do Oscar em 2002 pelo roteiro adaptado de "O Pianista" - centra sua história em Beecham House, uma esplêndida mansão num bosque que serve de moradia para músicos aposentados.

Vivem ali cantores líricos como os amigos Cissy (Pauline Collins), Reginald (Tom Courtenay) e Wilf (Billy Connolly), que se apoiam mutuamente nas adversidades, como os cada vez mais frequentes lapsos de memória de Cissy. O espirituoso Wilf, que confessa "odiar ter envelhecido", consola-se insistindo em passar cantadas nas tolerantes funcionárias da casa.

Reginald, que parece o mais centrado deles, sofre um grande choque ao descobrir a iminente chegada de uma nova moradora. Trata-se de Jean (Maggie Smith), sua ex-mulher, de quem se separou há muitos anos de maneira traumática. Ele pensa mesmo em deixar Beecham House, porque acha impossível compartilhar novamente o mesmo endereço com Jean.

Outros habitantes da casa pensam muito diferente. O maestro Cedric (Michael Gambon), por exemplo, acha que Jean caiu do céu. Afinal, ela é justamente a voz que faltava para completar um famoso quarteto da ópera Rigoletto, de Verdi - que ela interpretou ao lado de Cissy, Wilf e Reginald.

Como Cedric acredita que o quarteto de Verdi com esta turma será um atrativo e tanto no espetáculo de final de ano, essencial para levantar fundos para a própria sobrevivência de Beecham House, Reginald será pressionado por todos os lados - inclusive pela própria Jean, que tenta compensar um erro do passado.

Nesta história simples mas saborosa, em que o elenco é tão afinado quanto a música, a presença de diversos veteranos cantores líricos reais - como a soprano galesa Gwyneth Smith - é uma atração à parte.

Não falta inteligência ao roteiro, como na cena em que Reginald discute com um grupo de jovens visitantes as semelhanças entre a ópera e o rap - uma das passagens mais divertidas do filme.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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