7 de Março de 2013 / às 15:23 / em 4 anos

ESTREIA-Sem muito carisma, "Oz - Mágico e Poderoso" conta origens do mágico

SÃO PAULO, 7 Mar (Reuters) - Mistério maior do que como derrotar a Bruxa Malvada do Oeste é tentar entender como o diretor Sam Raimi ("O Homem-Aranha") e os roteiristas Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire ("Robôs") conseguiram transformar a história do Mágico de Oz em algo entediante, um verdadeiro sonífero, em "Oz - Mágico e Poderoso".

A obra do escritor inglês L. Frank Baum, inventor da terra de Oz e autor de uma série de livros sobre o lugar e seus personagens, serve como base para essa prequel do famoso filme de 1939, "O Mágico de Oz".

Aqui, a forma predomina sobre o conteúdo. Ainda assim, o uso de cores e fantasia, mesmo na versão 3D, não é o bastante para compensar a fragilidade da história, que recicla sem criatividade temas e ideias do filme original.

Oz (James Franco) é um mágico de um circo pequeno sem qualquer talento e muito mulherengo que, ao fugir de um marido traído, é sugado, junto com seu balão, para um universo paralelo chamado Oz, dominado pela bruxa Evanora (Rachel Weisz).

As escolhas visuais do diretor para o filme são um tanto óbvias, com a primeira parte exibida em preto e branco. O colorido e a expansão do tamanho da imagem acontecem quando o mágico chega ao outro mundo.

Flores, árvores e seres diferentes dão o contraste entre esse lugar mágico e aquele de onde Oz vem. Recepcionado pela bela Theodora (Mila Kunis), ele logo é informado que há uma criatura má colocando em perigo seus habitantes.

No reino encantado, Oz encontra personagens correspondentes àqueles que ele conhece no mundo real, como Finley, um macaco que se torna uma espécie de escudeiro seu e é dublado por Zach Braff, que no começo do longa faz o papel de assistente do mágico.

Já a Boneca de Porcelana, talvez a personagem mais bem-resolvida do filme, é dublada por Joey King, que na primeira parte interpreta uma garotinha numa cadeira de rodas que pede ao mágico que a cure.

De certa forma, o filme também é sobre a transformação de Theodora de moça bonita em a Bruxa Malvada do Oeste, o que acontece depois de uma decepção amorosa, quando Oz conhece Glinda (Michelle Williams), bela princesa que tenta salvar seu reino subjugado por Evanora, que matou o rei, pai de Glinda.

Michelle Williams demonstra sua graça delicada ao interpretar a princesa, que é uma bruxa boa. Mas Franco não alcança o carisma necessário para gerar muita simpatia pelo personagem. Pouco ajuda o fato de que o final do filme já é conhecido há mais de um século, visto que Baum publicou o primeiro livro da série em 1900.

Raimi é um diretor que sempre lidou bem com a fantasia, mas é quase impossível não pensar em Tim Burton fazendo este filme, já que sua paleta de cores lembra um tanto "Alice no País das Maravilhas". Com Burton no comando, a história penderia mais para o lado obscuro e, certamente, teria também mais humor, menos reverência.

No entanto, esta não é a primeira, nem será a última, releitura do filme clássico. A própria Disney, responsável pela produção, nos anos de 1980 levou novamente Dorothy (interpretada por Fairuza Balk) ao mundo de Oz.

Até Diana Ross e Michael Jackson, como Dorothy e Espantalho, estrelaram uma versão all-black do filme, lançada no fim dos anos de 1970.

Pelo visto, não é tão cedo que o público vai se livrar de Oz. Está programada para estrear ainda neste ano uma animação baseada na história original e, para 2014, um filme baseado num musical da Broadway, que conta a história da Bruxa Malvada do Oeste.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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