Conclave acontece entre obras-primas de Michelangelo

terça-feira, 12 de março de 2013 16:09 BRT
 

Por Naomi O'Leary

CIDADE DO VATICANO, 12 Mar (Reuters) - Os 115 cardeais que elegerão um novo papa nesta semana poderão se inspirar com algumas das mais belas e famosas obras de arte do mundo, pintadas por Michelangelo há 500 anos na Capela Sistina.

Numa das paredes da capela está o afresco que mostra o Juízo Final, e no teto se vê a célebre imagem da criação do homem, com os dedos de Deus e Adão quase se tocando.

Mas, para os cerca de 1,2 bilhão de católicos do mundo, o que interessa mesmo é a humilde chaminé instalada no teto da capela, e que funciona como uma espécie de placar --quando sai fumaça preta, significa que as votações ainda estão sendo inconclusivas; a fumaça branca anuncia que um novo papa foi eleito.

A Capela Sistina, concluída no século 16, recebe 20 mil visitantes por dia, observados atentamente por guardas que reprimem quem tenta tirar fotos em lugares proibidos.

Nesta semana, a capela ficará silenciosa, a não ser pelas orações dos "príncipes da Igreja" e pelos discretos passos dos poucos assistentes presentes, que precisam jurar segredo sobre o que veem.

O local é usado para os conclaves desde 1484, quando ocorreu a morte do pontífice que lhe deu o nome, Sisto 4o, um grande apoiador das artes no Renascimento.

Naquela ocasião, os cardeais elegerem Inocente 8o, um homem lembrado na Enciclopédia Britânica como um papa cujo nepotismo em prol dos seus dois filhos ilegítimos era "tão abundante quanto desavergonhado". Era uma época em que aristocráticas famílias romanas lutavam violentamente pelo comando da Igreja e pelas vastas riquezas advindas disso.

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