ESTREIA-Wagner Moura interpreta pai que procura filho perdido em "A Busca"

quinta-feira, 14 de março de 2013 11:11 BRT
 

SÃO PAULO, 14 Mar (Reuters) - Uma frequente provocação aos cineastas brasileiros cobra-lhes que façam filmes como os argentinos. Ou seja, simples, narrativas focadas, temas familiares. O drama "A Busca", de Luciano Moura, ajusta-se neste estrato, distanciando-se tanto das comédias de grande apelo popular quanto dos filmes de maior empenho crítico, os dois extremos em que o cinema nacional mais tem recaído.

Toda e qualquer classificação é relativa, claro. Mas o acerto do tom de "A Busca" parece ter sido confirmado pelo Prêmio do Público que o filme recebeu no Festival do Rio 2012.

A experiente Elena Soárez (roteirista de "Xingu" e "Casa de Areia") assina, com Luciano Moura, o roteiro do que começa como um pesadelo em família. O casal de médicos Théo (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima) estão vivendo um divórcio complicado. Seu único filho, Pedro (Brás Antunes), de 15 anos, compartilha a tensão e, não raro, é mais uma vítima dela.

Um dia, Pedro diz que vai viajar no final de semana com um amigo. E não volta no domingo de seu aniversário, como combinado. O desespero une Théo e Branca, que se lançam numa busca frenética por casas de amigos, telefonemas a hospitais. No quarto do garoto, nenhum bilhete.

"A Busca" começa, então, como um "huis clos", na atormentada casa da família, onde Theo não mora mais. Logo em seguida, torna-se um filme de estrada, em que o pai vai seguindo pistas que vão surgindo, fazendo, ele também, uma jornada de amadurecimento, um doloroso exercício de desapego de sua mania de controle.

Poucos atores são capazes, como Wagner Moura, de incorporar com tanta naturalidade essa variedade de registros emocionais que ele experimenta ao longo do caminho, em que o filho paira como uma presença fantasmagórica.

O pai fica sabendo de seus passos e atitudes, surpreendendo-se com suas pequenas audácias para levar adiante uma aventura que Théo não sabe ainda onde vai terminar. Pelo telefone, ele conversa com Branca, retomando, também à distância, um diálogo que havia se tornado impossível.

Fora de sua zona de conforto, Théo vai sendo exposto a realidades múltiplas de um país tão contraditório quanto ele mesmo. Assim, passa por uma favela de beira de estrada, atravessa um rio numa balsa precária, convive com jovens numa comunidade alternativa, encara a rabugice de um velhinho (o ator Abrahão Farc, que morreu no final de 2012).

Por escolha dos roteiristas, a polícia não entra nesta procura. Este é um trajeto que passa ao largo das instituições e busca sua dinâmica dentro de relações íntimas e humanistas que se transformam ao longo do tempo.   Continuação...