ESTREIA-Dwayne Johnson supera-se como ator no drama "O Acordo"

quinta-feira, 18 de abril de 2013 15:33 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Abr (Reuters) - Dwayne Johnson, o ex-lutador de luta livre conhecido como The Rock, é um dos atores em relativa ascensão em Hollywood. Para entender melhor a ciumeira que ele provoca por lá como intérprete, uma comparação seria se o brasileiro Anderson Silva se tornasse protagonista de novela.

Em filmes anteriores, como "Escorpião Rei" e "Doom", por exemplo, Johnson se mostrou perfeitamente capaz de ser um ator de filmes de ação, em que não se pede mais do que saber dar pontapés e dizer palavras de efeito.

Mas em "O Acordo", em estreia nacional, foi preciso um pouco mais de fibra para defender o papel de um pai que não precisa dos músculos para seguir adiante, numa história baseada em fatos reais, que inspirou até um documentário na TV americana.

Matthews (Dwayne Johnson) é o pai destemido que busca a redenção do filho Jason (Rafi Gavron). O rapaz foi pego com entorpecentes e, por mais que seja alegadamente inocente, vai para a prisão. Graças à lei de tolerância zero com drogas nos EUA, Jason pode ficar, no mínimo, 10 anos atrás das grades.

Matthews, que não se dá muito com o filho por causa do divórcio --está casado e com outra filha--, apela à promotora Joanne (Susan Sarandon) que encontre uma forma de amenizar a condenação. Porém, ela é irredutível, como a própria lei, e diz que o garoto fica preso enquanto não denunciar alguém graúdo no crime.

Enfim, de duas uma: ou Matthews consegue o nome dos traficantes ou o filho fica na cadeia. Na pele de pai responsável, vai procurar quem comanda o narcotráfico local como informante. E, por um lance de sorte do destino, ou fixação por ajudá-lo, ele chega ao ex-presidiário e agora bom moço Daniel (Jon Bernthal), que pode colaborar na captura do chefão da quadrilha.

"O Acordo" é uma dessas histórias que se acredita quando está no jornal, mas se pode duvidar quando se assiste no cinema. O diretor Ric Waugh, porém, não a deixa cair em nenhum momento no melodrama barato, nem numa narrativa puramente condescendente sobre a morte e vida de Jason.

Melhor: faz de Johnson, o The Rock, um ator (pelo menos na edição) melhor do que aparenta, estrela de um filme que, equilibradamente, leva nas costas. E, por mais que exista ação nas cenas, o diretor não deixa para o fortão resolver.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb