ESTREIA-"Último Exorcismo-Parte 2" retoma primeiro filme mas deixa no ar explicações

quinta-feira, 9 de maio de 2013 14:01 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - Quando estreou em 2010, "O Último Exorcismo" aproveitava a onda levantada pelo sucesso da franquia "Atividade Paranormal", que revivia o estilo documentário ficcional de terror. Esse subgênero, visto em "Cannibal Holocaust" (1980) e "A Bruxa de Blair" (1999), oferece ao espectador a ideia de que tudo projetado na tela é fato, uma experiência real, sem cortes, edição ou roteiro.

Embora o estilo não fosse mais novidade, a produção trazia em si uma curiosa possibilidade: ver um exorcismo sob uma abordagem supostamente documental. Expectativa que o filme não atendeu -apesar das boas cenas iniciais-, já que o reverendo Cotton Marcus (Patrick Fabian) não faz um exorcismo na possuída Nell (Ashley Bell), que acaba parindo um filho demoníaco no final.

Esta sequência segue, portanto, os passos de Nell após os acontecimentos narrados no primeiro filme. A diferença aqui é a decisão dos produtores de acabar com a câmera na mão, tornando a obra mais convencional. A escolha foi arriscada, já que extrai o único diferencial que ela mantinha em relação aos demais suspenses sobre exorcismo.

Nesta história, após passar um tempo na floresta, onde é encontrada, Nell não lembra o que aconteceu na noite do ritual, em que seus familiares e o reverendo Marcus morreram e ela deu à luz a um demônio. Apesar das gravações (a base do primeiro filme) mostrarem a moça como uma pessoa perturbada, vítima de uma possessão, ela tenta seguir adiante. Vive num abrigo para jovens, namora um rapaz (Spencer Treat Clark) e trabalha num hotel.

No entanto, essa aparente normalidade é vivenciada por Nell conjuntamente a visões de vultos e toda a série de fenômenos paranormais, que sempre fazem a moça parecer lunática. Um trabalho hercúleo de Ashley Bell, que beira o ridículo.

O diretor Ed Gass-Donnelly, que assina o roteiro junto com Damien Chazelle, não vai muito além do lugar comum nesta continuação. Basta ver que os elementos desta história obedecem a padrões para lá de batidos do gênero, como a ambientação em New Orleans (EUA) e seus personagens místicos. Não assusta e, pior, entedia pela falta de tensão.

O filme também não explica nada sobre o desfecho da produção anterior. Quem eram aquelas pessoas ao lado da fogueira? O que aconteceu com o tal bebê? Por que Nell? O reverendo Cotton Marcus, no primeiro filme, queria provar que exorcismo é uma tapeação. Agora, parece que o único enganado é o espectador.

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