ESTREIA-Diversidade cultural do Canadá é o pano de fundo de "O que Traz Boas Novas"

quinta-feira, 9 de maio de 2013 14:18 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - Representante canadense na corrida pelo Oscar de filme estrangeiro em 2012, o drama "O que Traz Boas Novas", de Philippe Falardeau, ultrapassa sua aparente simplicidade pela forma consistente com que elabora temas espinhosos, como a discussão da morte no ambiente de uma escola primária.

Uma das turmas dessa escola é abalada pelo suicídio de uma professora na própria classe. Pior ainda, o primeiro a descobrir o corpo é um dos alunos, Simon (Émilien Néron).

Diante da dificuldade de substituir a professora morta no meio do ano, a diretora (Danielle Proulx) aceita contratar um imigrante argelino, Bachir Lazhar (Mohamed Fellag), que naquele momento luta para regularizar sai situação como refugiado no Canadá.

O sr. Lazhar tem igualmente sua cota de dor com que lidar, vindo de um país devastado pela guerra civil, que custou a vida de sua família. Esse passado, que ele não compartilha imediatamente, serve para orientá-lo no trato com estas crianças, cujos pais mostram-se despreparados para dar as respostas que esperam nas questões mais urgentes.

Fugindo de uma visão piedosa das situações, o filme estrutura-se na criação de uma sensível atmosfera de grupo. As diferenças de personalidade das crianças vêm à tona para chocar-se ou solidarizar-se com a figura, às vezes exótica na visão delas, deste professor estrangeiro e educado com outros valores.

Se o sr. Lazhar pode contar com a simpatia de alunos de origem árabe como ele, caso de Abdelmalek (Seddik Benslimane), também enfrenta atitudes como a de Marie-Frédérique (Marie-Ève Beauregard), uma esnobe representante da classe alta que não perde uma chance de colocar-se acima dos outros, inclusive do professor. Por outro lado, a intuitiva Alice (Sophie Nélisse), é um primor de sagacidade e compreensão.

Transformando a classe num microcosmo que reproduz a sociedade lá fora, o filme discute nas entrelinhas as diferenças sociais e os preconceitos étnicos que ali desembocam. Escapa, porém, de outra armadilha, o didatismo, ao enfatizar a discussão sobre a morte da professora, um assunto que a direção da escola e a maioria dos pais gostaria de ver esquecido, do que discordam o professor e uma boa parte dos próprios alunos.

Contando com um desempenho natural de seus pequenos intérpretes, boa parte deles estreantes, e do veterano ator argelino Mohamed Fellag, alternam-se momentos engraçados, dramáticos e comoventes, num equilíbrio que flui sem esforço.

O filme estreia em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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