Vaticano lembra ataque contra Pietà, de Michelangelo, há 41 anos

terça-feira, 21 de maio de 2013 17:54 BRT
 

CIDADE DO VATICANO, 21 Mai (Reuters) - Quarenta e um anos atrás, um enlouquecido húngaro chamado Laszlo Toth pulou um grade altar na Basílica de São Pedro e deu 12 golpes de martelo na escultura Pietà, de Michelangelo, danificando severamente a obra-prima do Renascimento.

Para marcar o ataque de 21 de maio de 1972, o Museu do Vaticano realizou um seminário de um dia nesta terça-feira sobre a estátua, o incidente, e o que, posteriormente, se tornou uma das restaurações de arte mais delicadas e controversas da história.

Em seu ataque contra a obra, que retrata a Virgem Maria segurando o corpo de Jesus morto minutos depois de ter sido tirado da cruz, o geólogo desempregado derrubou o braço e a mão esquerda da estátua.

Toth, que alternadamente disse que era Jesus Cristo ou Michelangelo, também quebrou o nariz em três partes e deixou cerca de 100 outros fragmentos, incluindo lascas da parte de trás da cabeça, sobre o chão da capela onde estava em exposição.

Na época, os historiadores de arte ficaram divididos sobre como proceder com a restauração da obra-prima.

Após o ataque, alguns historiadores de arte e restauradores queriam que a estátua ficasse danificada como um sinal dos tempos violentos. Outros disseram que deveria ser restaurada, mas com marcas claras que delimitassem as partes avariadas, como um testemunho histórico.

No entanto, o Vaticano decidiu pelo que é conhecido como uma "restauração integral", um processo que não deixa qualquer vestígio da intervenção visível a olho nu.

"Com qualquer outra estátua, deixar as feridas (do ataque) visíveis, por mais doloroso que fosse, poderia ter sido tolerado", afirmou o diretor dos Museus do Vaticano, Antonio Paolucci.

"Mas não com a Pietà, não com esse milagre da arte", disse.

Cerca de 10 meses após o ataque, a Pietà foi exibida novamente na capela que leva seu nome, desta vez atrás de um painel de vidro à prova de balas, onde é vista por milhões de pessoas a cada ano.

(Reportagem de Philip Pullella)