Filme de cineasta iraniano é ovacionado de pé em Cannes

sexta-feira, 24 de maio de 2013 19:58 BRT
 

Por Mike Davidson

CANNES, França, 24 Mai (Reuters) - Um cineasta iraniano que foi preso sob a acusação de propaganda antigoverno em 2010 lançou nesta sexta-feira no Festival de Cinema de Cannes um novo filme sobre opressão estatal que ele rodou em segredo em seu país.

Mohammad Rasoulof foi considerado culpado por "ações e propaganda contra o sistema", depois de tentar fazer um documentário sobre os distúrbios que se seguiram à controversa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 2009.

Ele foi condenado a 6 anos de prisão e proibido de fazer filmes e de deixar o Irã por 20 anos. Mas, após recurso, a sentença foi reduzida para um ano de prisão e a Justiça removeu as proibições de viajar e fazer cinema.

A plateia ovacionou de pé seu novo filme, "Dast-Neveshtehaa Nemisoosand" (Manuscritos Não Queimam), em uma exibição para a imprensa nesta sexta-feira em Cannes.

Rasoulof disse que o filme foi baseado na história verdadeira de 21 escritores e acadêmicos iranianos que viajavam num ônibus e foram alvo de um atentado fracassado, ao qual sobreviveram. O cineasta descreveu o ataque como um "episódio obscuro" na comunidade intelectual iraniana.

Ele se concentra especialmente em um autor que escreve secretamente suas memórias sobre o período em que foi prisioneiro político e as tentativas das autoridades para destruir sua obra.

Rasoulof disse que o filme nunca será mostrado no Irã por causa do tema. Ele não tentou obter uma licença para rodá-lo, pois sabia que seria recusada, e se esforçou para reunir elenco e equipe de filmagem.

"Demorou dois anos para juntar as pessoas que poderiam fazer os papéis e que aceitariam fazer isso e cooperar com a gente", declarou Rasoulof à Reuters TV em entrevista realizada num jardim perto da orla de Cannes.   Continuação...

 
O diretor iraniano Mohammad Rasoulof posa para foto durante promoção de seu filme "Dast-Neveshtehaa Nemisoosand", no Festival de Cannes, na França, nesta sexta-feira. 24/05/2013 REUTERS/Regis Duvignau