Para Bertolucci, TV atual é melhor do que Hollywood

terça-feira, 28 de maio de 2013 11:27 BRT
 

Por Philip Pullella

ROMA, 28 Mai (Reuters) - Aos 12 anos, Bernardo Bertolucci se olhou no espelho e se imaginou como John Wayne. Hoje, aos 73, ele está confinado a uma cadeira de rodas, mas continua sendo uma figura imponente dentro do cinema italiano.

Bertolucci anda desapontado com a Hollywood que tanto o inspirou, e acha que séries de TV como "Mad Men" têm roteiros e direção de atores melhores do que as produções da telona.

O cineasta discutiu seu caso de amor com a cultura norte-americana, e seu desdém pelo que Hollywood tem produzido hoje, na noite de segunda-feira, quando foi homenageado em Roma pela Academia Americana.

"O jazz foi a primeira música que escutei na vida, e jazz para mim significava América", disse Bertolucci à plateia no evento beneficente de gala, destinado a angariar verbas para artistas.

A Academia Americana, mais antiga instituição dos EUA no exterior para o estudo independente das artes e humanidades, homenageou Bertolucci com o prestigioso prêmio McKim, já entregue anteriormente a personalidades como o maestro Riccardo Muti, o compositor Ennio Morricone, o cineasta Franco Zeffirelli e o escrito Umberto Eco.

"Vi ‘No Tempo das Diligências', e para mim (o diretor) John Ford virou Homero", disse ele sobre o clássico western de 1939, ano anterior ao nascimento de Bertolucci, em Parma (norte da Itália).

"Eu ficava em frente a um espelho de corpo inteiro e o que eu vi aos 12 anos não era eu, era John Wayne."

Mas, hoje, o diretor de filmes como "O Último Tango em Paris", "O Último Imperador" e "Novecento" acha Hollywood deprimente.   Continuação...

 
Diretor Bernardo Bertolucci vai à coletiva de imprensa para filme “Io E Te”, no 65º Festival de Cannes, em maio de 2012. Aos 12 anos, Bernardo Bertolucci se olhou no espelho e se imaginou como John Wayne. Hoje, aos 73, ele está confinado a uma cadeira de rodas, mas continua sendo uma figura imponente dentro do cinema italiano. 23/05/2012 REUTERS/Jean-Paul Pelissier