ESTREIA-Comédia nacional "Odeio o Dia dos Namorados" cai na previsibilidade

sexta-feira, 7 de junho de 2013 18:23 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) - A comédia brasileira "Odeio o Dia dos Namorados" tem mais em comum com sua homônima norte-americana do que apenas o título. Ambas se acomodam em sua zona de conforto e lá ficam, encostadas no carisma de suas protagonistas - Heloisa Périssé e Nia Vardalos, respectivamente. Vale dizer que a brasileira se sai melhor, o que já é alguma coisa, apesar da escassa criatividade à vista.

O diretor, Roberto Santucci, está se tornando uma espécie de rei das comédias lucrativas. Nos últimos anos, assinou "De Pernas pro Ar" 1 e 2 e "Até que a Sorte nos Separe". Todas fazendo sucesso de bilheteria, mas, também, um tanto anódinas, sem qualquer traço mais cinematográfico, apenas com cara de um especial de televisão na tela grande.

O público parece não se queixar. Somadas, as três bilheterias alcançaram mais de 10 milhões de ingressos.

Esse mesmo público que tanto se agrada com as comédias de Santucci não terá do que reclamar, pois "Odeio o Dia dos Namorados" segue a mesma cartilha, incluindo a alta dose de previsibilidade da trama, a estética e o elenco de novelas. No novo longa, o roteiro, assinado por Paulo Cursino - que tem no currículo "Zorra Total", "Sob Nova Direção" e os três filmes de sucesso do diretor -, inspira-se em "Um Conto de Natal", do escritor inglês Charles Dickens, adaptando-o para o Dia dos Namorados.

Heloisa é Débora, uma publicitária que só pensa no trabalho e anos atrás não aceitou o pedido de casamento de seu então namorado, Heitor (Daniel Boaventura). Agora, famosa e bem- sucedida, a agência onde trabalha está para conseguir a conta de uma famosa marca de bombons - o grande merchandising do filme. Um dos diretores da empresa é Heitor, o que cria um certo constrangimento.

Quando, a caminho do escritório, Debora sofre um acidente de carro, ela recebe a visita do espírito de seu amigo Gilberto (Marcelo Saback), que morreu há pouco. Com ele, a publicitária revisita sua adolescência. Assim, ela percebe que Heitor sempre foi apaixonado por ela. Mas não para nisso. Débora e Gilberto também vão até o futuro da moça, que curiosamente ficou com o visual muito parecido com o de Ana Maria Braga.

Com um final que se avista de longe --na primeira cena, diga-se de passagem--, "Odeio o Dia dos Namorados" faz comédia corretinha com elementos seguros, perseguindo mais um sucesso de bilheteria.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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