ESTREIA-"Além do Arco-Íris" relê contos infantis em mundo contemporâneo

quinta-feira, 6 de junho de 2013 15:05 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) - Como o título já dá a pista, o novo filme da cineasta francesa Agnès Joui mostra como os contos de fada são uma grande mentira quando se trata da vida real. Em "Além do Arco-Íris", ela - que assina o roteiro com seu parceiro habitual, Jean-Pierre Bacri - combina diversos contos clássicos infantis para o nosso tempo, acrescentando novas nuances às histórias.

O filme estreia em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis.

Laura (Agathe Bonitzer), por exemplo, é uma jovem que sonha em encontrar seu príncipe encantado. Quando conhece Sandro (Arthur Dupont) numa festa, ele está próximo da estátua de um anjo que aponta o dedo para o rapaz, como quem diz: "É ele".

O começo do namoro é um sonho perfeito. Esse relacionamento também trará mudanças na família dela. Sua tia, Marianne (Agnés Jaoui), uma atriz desconhecida, que atualmente monta uma apresentação com crianças numa escola, resolve ter aulas de direção com o pai do rapaz, Pierre (Jean-Pierre Bacri).

As interações do casal enquanto ele tenta ensiná-la a dirigir dão a dimensão real do filme, sobre as pequenas tragédias do cotidiano. Ele, por exemplo, diz que sabe o dia em que vai morrer e que este dia está se aproximando - mas Pierre, corajoso, não teme essa chegada.

Ao redor desse grupo de pessoas, Agnès cria um grupo de personagens que vão desde seu ex-marido (Laurent Poitrenaux), passando por seu irmão (Didier Sandre) e a mulher deste (Beatrice Rosen), entre outros.

Depois que todos os personagens são apresentados, percebe-se que o filme gira em torno da necessidade deles de acreditar em algo, seja na possibilidade de encontrar o grande amor de sua vida, ou na proximidade do dia de sua morte.

Como acontece nas obras anteriores da dupla Jaoui-Bacri - "Enquanto o sol não vem" (2008), "Questão de imagem" (2004), "O gosto dos outros" (2000) -, o humor se concretiza por vias tortas, pelo estranhamento das situações ou pelo simples fato de os personagens serem pessoas comuns. Ainda assim, a dupla realça o brilho que possa existir em suas histórias individuais.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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