ESTREIA-"Depois da Terra" ressente-se da pouca presença de Will Smith

quinta-feira, 6 de junho de 2013 16:28 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) - Produzida a partir de uma história original do astro Will Smith, com o intuito de criar um veículo para seu filho, Jaden Smith, a ficção científica "Depois da Terra", de M. Night Shyamalan, surpreende pela falta de ousadia, inclusive nas sequências visuais.

Ambientada num futuro distante, mil anos depois que a Terra foi esvaziada na sequência de uma série de cataclismas e a humanidade encontrou um novo lar em Nova Prime, a história coloca Will Smith como o general Cypher Raige, um homem a quem um magistral controle do medo impede que seja detectado pelas "ursas", uma temível espécie geneticamente criada para matar os humanos, não se sabe por quais alienígenas.

É duro competir com um pai durão desses, mas o garoto Kitai (Jaden Smith) bem que tenta, esforçando-se ao máximo nos treinamentos para se tornar um dos Rangers, o corpo de guerreiros que defende o novo planeta. Mas sua própria ansiedade está trabalhando contra ele e, mais uma vez, ele não consegue passar da posição de cadete.

Voltando para casa, o pai acha boa ideia levar o menino para uma viagem de trabalho, uma inspeção de rotina num outro planeta. A jornada termina mal, com a nave avariada por uma tempestade de asteroides, que provoca sua queda num planeta em que avisos sonoros dizem que não é permitido pousar, porque ali a natureza e todos os espécimes são predadores dos humanos. O planeta nada mais é do que a Terra.

Os únicos sobreviventes, claro, são Cypher e Kitai. Não se sabe ainda o que ocorreu com a "ursa" aprisionada a bordo, que iria servir para treinamento de tropas. Acontece que Cypher fraturou as duas pernas. Assim, cabe a Kitai uma jornada arriscada de 100 quilômetros, em busca da cauda da nave, onde ficou o único sinalizador que ainda pode funcionar para pedir ajuda para os dois.

A ideia de colocar todo o peso da aventura nas costas de Kitai, afinal, resulta prejudicada. Faz falta ao bom andamento do filme o carisma inegável de Will Smith, que tão bem funcionou numa história de temática semelhante, "Eu Sou a Lenda"(2007). Aqui, Smith fica o tempo todo sentado e dopado por analgésicos, monitorando o filho por um visor e lhe passando instruções por um sensor que ele tem no uniforme de sobrevivência.

Com 14 anos, e já tendo dividido a tela com o pai sete anos atrás no drama À Procura da Felicidade, Jaden tem a tarefa ingrata de carregar sozinho a missão perigosa - enfrentando aranhas, cobras, sanguessugas tóxicas, aves de rapina, babuínos enlouquecidos e, claro, a "ursa". E também a de carregar o filme, sem ter ainda condições para isso. Não é justo com um garoto, um ator ainda em formação.

O diretor Shyamalan, contratado aqui, divide os créditos do roteiro com Gary Whitta ("O Livro de Eli") e trabalha num visível piloto automático, num filme sem qualquer assinatura. As situações de perigo, os efeitos especiais e também as cenas familiares parecem todas protocolares.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb