Redes sociais difundem e dividem protestos no Brasil

sexta-feira, 21 de junho de 2013 22:11 BRT
 

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) - Os maiores protestos das últimas décadas no Brasil reúnem uma mistura confusa e conflitante de pessoas e mensagens. E a culpa é do Facebook.

Redes sociais como o Facebook e o Twitter propiciaram um tipo de mobilização que há mais de duas décadas não era vista no país. Mas, graças à velocidade, eficiência e anonimato do ativismo on-line, emergiu um movimento amorfo e desajeitado, fora do controle daqueles que inicialmente começaram a pedir mudanças.

"As redes sociais nos ajudaram a nos organizarmos sem termos líderes", disse Victor Damaso, de 22 anos, que participava de uma manifestação na quinta-feira à noite na avenida Paulista, em São Paulo. "Nossas ideias, nossas exigências são discutidas pelo Facebook. Não há reuniões nem regras."

As manifestações são majoritariamente pacíficas, mas, com a presença de mais de 1 milhão de pessoas nas ruas de dezenas de cidades na quinta-feira, vândalos e saqueadores lançaram uma sombra violenta sobre alguns dos protestos. Em vários casos, policiais reagiram com gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás de pimenta.

Páginas montadas no Facebook para a coordenação logística e hashtags do Twitter brotam sem parar nos últimos dias para convocar protestos em centenas de cidades. Grupos rivais parecem estar disputando o controle de uma das mais visitadas páginas de uma organização no Facebook e de uma conta correlata do Twitter.

"Todo o movimento que cresce corre o risco de atrair grupos e indivíduos com os quais não tem afinidade plena", disse a socióloga Angela Alonso, da Universidade de São Paulo. "É um preço do crescimento. Como, neste caso, não há liderança centralizada, a administração dessas adesões fica mais difícil e vem se mostrando mesmo descontrolada."

O Movimento Passe Livre, um grupo com cerca de 40 ativistas que iniciou as passeatas - afinal bem sucedidas - pela redução da tarifa dos transportes em São Paulo, anunciou nesta sexta-feira que não convocará novas atividades por enquanto, por causa da crescente tensão e violência nos protestos.

A partir dos protestos do MPL, uma convocação nacional por reformas rapidamente evoluiu para aquilo que agora ficou conhecido na internet como Anonymous Brasil.   Continuação...