27 de Junho de 2013 / às 15:03 / em 4 anos

ESTREIA-Brad Pitt combate zumbis modernos em "Guerra Mundial Z"

Brad Pitt, que está no elenco do filme “Guerra Mundial Z”, vai à estreia em Nova York. 17/06/2013Lucas Jackson

SÃO PAULO, 27 Jun (Reuters) - Concluir "Guerra Mundial Z", o filme com zumbis mais caro da história do cinema, cujo custo superou 200 milhões de dólares(quase meio bilhão de reais), não foi nada fácil para os envolvidos.

A produção foi marcada por atrasos, adiamentos, roteiro reescrito, refilmagens, orçamento estourado e muita boataria na internet, incluindo brigas ferrenhas entre o produtor e astro Brad Pitt e o diretor Marc Foster ("A Última Ceia").

Entender o motivo de tanta celeuma é um exercício que remonta à origem, isto é, ao livro em que se baseou a produção, "Guerra Mundial Z - Uma História Oral da Guerra dos Zumbis" (Editora Rocco, no Brasil).

Escrito pelo americano Max Brooks, o mesmo autor do curioso "O Guia de Sobrevivência a Zumbis", trata-se de uma bem amarrada compilação de relatos dos sobreviventes de um imaginário apocalipse zumbi que varreu grande parte da população da Terra.

Fora o tema, o livro não é delirante em nada mais. Bem construído e com excelente pesquisa para montar sua ideia, os depoimentos do antes e depois da chamada "Guerra dos Zumbis" refletem uma crítica a políticas e doutrinas bastante reais e atuais, como a ineficiência de governos em antever crises, o espírito de separatismo, a cegueira fundamentalista, a desinformação intencional e a burocracia das organizações internacionais de apoio.

No fim, Brooks escreve um livro com propensão política, usando como pano de fundo os zumbis.

Essa característica é o que deu início à série de problemas. Os interesses começaram a ser conflitantes já quando os direitos foram comprados em 2006 pela Plan B, de Brad Pitt, e os estúdios Paramount.

Sobre o que seria o filme afinal? Diretor, astro/produtor e estúdio chegaram a uma conclusão inicial: um filme de ação sobre a tal guerra, tendo como protagonista Pitt, que se revelaria um grande herói ao final da batalha e colocaria em marcha uma possível sequência.

Pitt é Gerry Lane, um oficial afastado da ONU, que volta à ativa quando uma horda de zumbis invade as ruas. Ele e sua família conseguem um espaço em um navio militar americano mas, para que fiquem lá, Gerry precisa provar que são úteis (do contrário seriam mandados de volta).

Assim, ele é obrigado a viajar pelo mundo, em áreas invadidas pelos mortos-vivos, para encontrar o chamado "paciente zero" e explicações de como enfrentar a epidemia.

Na Coreia do Sul, Israel e, por fim, Reino Unido, Gerry enfrenta multidões de zumbis, começa a juntar as peças e ruma para a cura. Nada disso está no livro, aliás, nem o personagem central. Apenas as explicações dadas nos relatos por onde passa mantiveram algumas críticas e o viés político de Brooks, mas em doses comedidas.

Na versão original do roteiro, no entanto, o filme acabaria com uma grande batalha na Rússia, em que Gerry triunfaria como um herói. A explicação sobre o que aconteceu com o personagem e sua família ficaria para uma sequência. Este final, considerado abrupto e obscuro pelo estúdio, foi, por isso, reescrito e refeito.

Analisado apenas o filme, "Guerra Mundial Z" deixa a desejar como obra de terror. Apesar das boas cenas de invasão zumbi, eles nunca foram tão rápidos e agressivos.

A produção é contida, graças a uma ingerência do estúdio para a classificação indicativa não restringir a audiência adolescente e, consequentemente, os lucros na bilheteria. Assim, nada de banhos de sangue, mutilações ou mesmo lutas viscerais entre infectados e humanos.

Como a dimensão política foi reduzida e o desfecho à primeira vista não sugere sequências, fica a dúvida se o filme agradadou aos envolvidos.

Forster saiu chamuscado pela crítica internacional, acusado de não estar preparado para realizar um filme de ação (um rescaldo do seu denegrido "007 - Quantum of Solace"). Brad Pitt lutou até o fim para dar mais substância ao filme, mas prevaleceu o critério da classificação etária. O estúdio Paramount tinha nas mãos uma produção que não parecia capaz de dar o retorno desejado para um blockbuster que marca seus 100 anos.

No entanto, em um revés dramático, o sucesso da bilheteria da estreia, nos EUA (66 milhões de dólares) e no resto do mundo (118 milhões de dólares), acalmou os ânimos e fez o próprio estúdio anunciar uma possível franquia.

Muito se deve ao trabalho de promoção de Brad Pitt pelo mundo (não veio ao Brasil por causa dos protestos), que não queria amargar prejuízos com a Plan B e estremecer sua parceria com a Paramount.

O filme circula em versões convencionais e 3D, inclusive dubladas.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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