ESTREIA-"Turbo" extrai humor da paixão de um caracol pelo automobilismo

quinta-feira, 18 de julho de 2013 13:58 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Jul (Reuters) - Animação pensada para crianças, mas com gracinhas suficientes para divertir também os adultos, "Turbo", de David Soren, parte de um paradoxo: um protagonista como Téo, um caracol de jardim que se transforma em piloto de automobilismo, na disputada prova das 500 Milhas de Indianápolis.

Nada mais lerdo do que um caracol, certo? Por isso mesmo, Téo (voz de Bruno Garcia na versão brasileira) é obcecado por velocidade. Não se conforma com a rotina diária de sua comunidade, que se limita ao trabalho numa pequena horta de tomates.

Téo passa as noites assistindo a vídeos de corridas de automobilismo, tendo como ídolo o metido campeão francês Guy Champeón -- que é a cara do piloto Alain Prost, antigo rival de Ayrton Senna na Fórmula 1.

Chet, o irmão de Téo, é prudente e conservador. Tenta tudo o que pode para tirar a fixação por automobilismo, aparentemente absurda, da cabeça do caçula. Não funciona. Os dois acabam expulsos do jardim, depois de mais um incidente provocado pelo imprudente caracolzinho.

Os dois caem nas ruas da cidade e são capturados por Tito, um dos dois irmãos mexicanos donos de uma taqueria e que é louco por "corridas" de caracóis. Logo Téo e Chet vão conhecer uma turma de lesminhas como eles, só que bem acelerados: Chicote, Descolado, Derrape, Sombra Branca e a garota Brasa (voz de Ísis Valverde).

Apenas quando chega a este novo ambiente e disputa uma "prova", Téo descobre que tem novos poderes. Ele os adquiriu durante uma escapada noturna, quando entrou num dos veículos que disputavam um racha e foi banhado num combustível aditivado. Por conta disso, o caracolzinho agora "acende" os olhos, como faróis, sintoniza rádios, faz barulhos como um carro e, o que é melhor, corre muito, deixando um rastro brilhante no chão.

Assumindo a identidade de suas fantasias, Turbo vai ser inscrito por Tito nas 500 Milhas de Indianápolis, não sem uma série de atribulações pelo caminho. Mas o regulamento não proíbe caracóis --quem pensaria nisto?-- e Turbo vai se defrontar com seu ídolo, Guy, que mostra um lado bem mais competitivo na pista.

Bastante criativo e cheio de humor, o roteiro --assinado por Soren (corroteirista em "O Espanta-Tubarões"), Darren Lemke (corroteirista de "Shrek para Sempre") e Robert D. Siegel (autor do script do drama "O Lutador")-- mantém o ritmo da animação, desenvolvendo uma turma de coadjuvantes marcantes e diversas sequências bem movimentadas.

Não tem nada de devagar a saga dos caracoizinhos, em que o estúdio Dreamworks parece ter dado uma boa tacada no território dominado pelas produções da Pixar.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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