ESTREIA-Michel Ocelot funde tradição e técnica em "Contos da Noite 3D"

quinta-feira, 18 de julho de 2013 14:12 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Jul (Reuters) - Um dos mais criativos diretores de animações do mundo, o francês Michel Ocelot, une o melhor de dois mundos ao realizar em "Contos da Noite 3D". Sua primeira animação em 3D não abre mão de suas habituais técnicas tradicionais de desenho, que partem de inspirações antigas, como o teatro de sombras chinesas, usando silhuetas negras recortadas contra fundos ricamente desenhados, sempre contando com uma expressiva paleta de cores.

"Contos da Noite 3D" estreia apenas no CineSesc de São Paulo.

A rigor, este novo trabalho traz mais do mesmo da obra do refinado diretor, que tem no currículo "Kiriku e a Feiticeira" (1998), "Príncipes e Princesas" (2000) e "As Aventuras de Azur e Asmar" (2006). Ou seja, alinhava seis contos, ambientados nas mais diferentes partes do mundo, da África ao México, passando pelo Caribe e o Tibete, explorando o prazer de contar histórias de um trio de personagens, formado por um par de jovens atores e um velho técnico, num cinema.

Mais de uma vez, Ocelot admitiu que não faz filmes para crianças, por isso é que elas gostariam deles. O mesmo acontece com estas histórias banhadas na fantasia dos contos de fada às quais não faltam toques eventualmente dramáticos ou mesmo assustadores.

Um dos mais inspiradores é o que abre a narrativa, contando o drama de um lobisomem, que desperta o amor em duas irmãs e protagoniza um relato em que o ciúme de uma delas coloca em perigo a vida do rapaz.

Da mesma maneira, o segundo segmento, "Joãozinho e a Bela sem Saber", acompanha as arriscadas aventuras de um rapaz pelo País dos Mortos, onde ele passa por uma série de provas, enfrentando animais gigantes e famintos, para poder ter direito à mão de uma princesa.

Inspirada na mitologia asteca, "A eleita da Cidade de Ouro" encena o dilema desencadeado pela chegada de um forasteiro, que mata um monstro a quem se sacrificava uma bela jovem quatro vezes por ano, forçando uma total transformação da cultura local.

A temática africana define o "Jovem Tam-Tam", retratando um garoto que gosta de tocar tambor e incomoda todos de sua aldeia -até que sua mania salva o guardião do tam-tam mágico e ele, finalmente, o deixa exercer sua vocação, fazendo todo mundo dançar.

Vem do Tibete o conto mais comovente, "O Rapaz que Nunca Mente", que se estrutura em torno de uma aposta entre dois reis para fazer um jovem super-honesto mentir. A narrativa conta com um cavalo que fala e uma égua que canta e desenrola-se em torno de um grande sacrifício.   Continuação...