ESTREIA-Comédia "O Concurso" tenta abrasileirar "Se Beber, Não Case"

quinta-feira, 18 de julho de 2013 14:15 BRT
 

SÃO PAULO, 18 Jul (Reuters) - A comédia brasileira "O Concurso" tenta ser, ao menos no começo, uma versão nacional de "Se Beber, Não Case". Logo o esforço se mostra em vão, mergulhando o filme em situações de humor que parecem recicladas de programas de TV como "Zorra Total" ou "A Praça é Nossa".

O filme é dirigido pelo ex-ator Pedro Vasconcelos, que estreia no cinema depois de uma carreira na direção de novelas, como "Paraíso" e "Morde & Assopra".

Até a estrutura segue o modelo da comédia norte-americana, acompanhando um grupo de sujeitos que se envolve em confusões ao longo de uma noite, e, quando acordam no dia seguinte, perdem um evento importante. Neste caso, é uma prova para juiz federal, que fariam no Rio de Janeiro.

O quarteto principal é formado pelo paulista Bernardo (Rodrigo Pandolfo, presença quase onipresente nos últimos meses no cinema nacional, atuando em "Minha Mãe É uma Peça" e "Faroeste Caboclo"), o cearense Freitas (Anderson Di Rizzi, que está na novela "Amor à Vida"), o gaúcho Rogério Carlos (Fábio Porchat) e o carioca Caio (Danton Mello).

Cada um deles apresenta uma característica estereotipada e um sotaque que oscila ao longo do filme. Bernardo é do interior de São Paulo, tímido e virgem. Freitas é apegado à fé e para tudo faz uma promessa. Freitas é o gaúcho típico, reprimido pela figura paterna (Jackson Antunes), para quem, se o rapaz não passar na prova, será um gaúcho que deu errado, ou seja, segundo ele, um catarinense. Já Caio é o malandro carioca, com vários contatos, inclusive com o submundo, em que consegue o gabarito da prova.

Quando os outros três descobrem que Caio terá acesso à prova, este os convence a entrar no golpe, explicando que saberão apenas as questões. Cada um estudará por si as respostas, para ser aprovado no teste.

O que segue são as confusões do quarteto, envolvendo uma disputa entre duas gangues lideradas por anões, Sabrina Sato como uma atiradora de facas ninfomaníaca, disposta a tirar a virgindade de Bernardo, closes do traseiro nu de um dos atores e um desembargador que é a cara do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Se o diretor Vasconcelos aqui mostra não ter o menor timing para comédia, a culpa não é só dele. Verdade que o roteiro não ajuda muito. Ainda assim, era de esperar-se, ao menos, um trato mais convincente das atuações, dado o seu passado como ator. Mas aqui todos estão exagerados, até para uma comédia, e mais preocupados em manter um sotaque -- o que nem sempre acontece.

Um dos poucos momentos realmente engraçados de "O Concurso" inclui Fábio Porchat vestido de drag queen e a voz de Gloria Gaynor -- dado o talento dele para comédia, é de se desconfiar que muito dessa cena seja ideia dele mesmo.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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