Bebê real britânico: obsessão mundial ou febre midiática?

sexta-feira, 19 de julho de 2013 18:15 BRT
 

Por Michael Holden

LONDRES, 19 Jul (Reuters) - Enquanto a mídia mundial mergulha no frenesi acerca do bebê de William e Kate, alguns espectadores se perguntam intrigados se a família real britânica é mesmo tão fascinante, ou se tudo não passa de uma febre.

Equipes de TV do mundo todo entram no ar quase de hora em hora em frente ao hospital onde Kate, mulher do príncipe William, deve dar à luz. Nesses noticiários, especula-se sobre a data do parto, o nome da criança e se haverá ou não cesariana.

Mas será que as audiências realmente partilham desse entusiasmo pelo nascimento da criança que será a terceira na linha de sucessão do trono, ou será que os plebeus acham tudo isso tão irrisório quanto Margaret Rhodes, prima da rainha Elizabeth 2ª.

"Sabe, todo mundo tem bebês, e é adorável, mas não fico loucamente entusiasmada com isso", disse Rhodes, de 88 anos, à CNN.

Segundo um estudo do Centro de Pesquisas Pew, só 25 por cento dos norte-americanos ouvidos em dezembro passado, quando a gravidez de Kate foi anunciada, estavam acompanhando esse assunto com atenção.

Pesquisas anteriores sobre o interesse de oito notícias envolvendo a realeza britânica desde 1986 -incluindo o suntuoso casamento de William e Kate em abril de 2011- mostraram que 60 por cento não acompanhavam ou só acompanham superficialmente esses fatos.

Houve uma exceção: a morte da princesa Diana, mãe de William, que atraiu o interesse de 85 por cento dos entrevistados nos EUA.

Mesmo na Grã-Bretanha, uma pesquisa do instituto YouGov nesta semana mostrou que apenas 46 por cento estão muito ou bastante interessados no nascimento, o que é menos do que na Índia, onde 57 por cento demonstraram interesse.

"Na Grã-Bretanha parece haver mais cinismo com relação à família real, ao passo que no exterior, particularmente na América, há uma imagem mais romântica de como é a vida dos nobres", disse Arianne Chernock, especialista em história da monarquia na Universidade de Boston.

"Ter algumas figuras carismáticas ajuda, mas tem a ver com o legado da Grã-Bretanha e com o poder que ela tinha no mundo nos séculos 18 e 19."