ESTREIA-Comédia "Wrong" tenta fazer graça a partir da estranheza

quinta-feira, 1 de agosto de 2013 11:16 BRT
 

SÃO PAULO, 1 Ago (Reuters) - A melancólica comédia franco-americana "Wrong", do diretor e roteirista Quentin Dupieux, tenta inovar no gênero criando uma trama um tanto bizarra em torno de um sujeito comum, Dolph (Jack Plotnick), cuja vida se complica depois do desaparecimento de seu cachorro. Parte da seleção oficial do Festival de Sundance 2012, o filme estreia em São Paulo.

A primeira cena já indica o estranhamento que está por vir. Enquanto uma van pega fogo no meio de uma rodovia, um bombeiro abaixa suas calças, agacha e fica lendo o jornal, enquanto seus colegas apenas o observam. Mais tarde, se entenderá o que o acidente tem a ver com Dolph, cujo cachorro desapareceu sem deixar vestígios.

O desaparecimento do cão tira Dolph do seu eixo. Desolado, ele liga para uma pizzaria e começa um papo sem muito nexo com a atendente, Emma (Alexis Dziena), sobre o logotipo do lugar -- um coelho entregando pizzas numa moto. Depois disso, conversa com seu jardineiro, Victor (Eric Judor) e sai para trabalhar.

Na verdade, Dolph foi mandado embora de uma agência de turismo, dentro da qual chove o tempo todo, há alguns meses. Mesmo assim, aparece lá todos os dias, senta-se em sua mesa por algumas horas e finge fazer algo -- para espanto de seus colegas, que, na verdade, nem gostam dele.

A vida muda de verdade quando é contatado por um guru protetor dos animais, conhecido por Mestre Chang (William Fichtner), que pode revelar o paradeiro de seu cachorro. Além disso, Emma se envolve com o jardineiro, pensando que este é Dolph, deixa o marido e se muda para a casa dele.

Onde Dupieux gostaria de chegar com suas elucubrações é um mistério. A bizarrice de "Wrong" parece apenas um fim em si mesma. Não há um humor negro, como nos filmes escritos por Charlie Kaufman ("Quero ser John Malkovich", "Sinédoque Nova York"), ou um personagem minimamente instigante. É claro que o longa quer retratar um sujeito que apenas age, nunca reage. Mas, em meio a essa passividade toda, faltou alguma espécie de contraponto.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb