ESTREIA-Em "Bling Ring", Sofia Coppola aborda o vazio das celebridades

quinta-feira, 15 de agosto de 2013 16:25 BRT
 

SÃO PAULO, 15 Ago (Reuters) - Em sua filmografia, Sofia Coppola investiga estados de alienação, de distanciamento do mundo em que vivemos, da vida como a conhecemos.

Em "Um Lugar Qualquer" (seu filme de 2010, ganhador do Leão de Ouro em Veneza) um astro de Hollywood passa uma temporada num luxuoso hotel onde tenta se reconectar com sua filha adolescente.

Já o primeiro longa, e um dos melhores da diretora, "As Virgens Suicidas" (1999), cinco irmãs são emocional e intelectualmente asfixiadas por uma mãe dominadora.

Nos filmes da diretora há sempre um elemento externo explodindo a bolha interna onde vivem os protagonistas.

Mas, em seu novo trabalho, "Bling Ring - A Gangue de Hollywood", Sofia fica em sua zona de conforto, ao mesmo tempo que a subverte. Ela fala dos ricos e alienados da Califórnia, mas, dessa vez, o olhar é externo à bolha, é o daqueles que aspiram à posição de ricos e famosos.

Não é sobre alienação, é sobre manipulação: o desejo de ter mais do que se tem e os vícios de tentar conseguir alcançar esses desejos - os materiais, que fique claro. Embora os protagonistas não vivam na bolha, também não estão totalmente de fora -estão bem próximos- e não a querem furar, mas entrar nela.

Vivendo numa sociedade de valores invertidos, os protagonistas se sentem no direito de se apoderar daquilo que querem e ainda não têm.

Ao mesmo tempo, "Bling Ring" não poderia ser um filme mais atual. A trama não poderia existir em outros tempos que não esses em que vivemos, de uma sociedade obcecada por celebridades e com acesso rápido e fácil à vida dessas pessoas, tudo sobre elas está na Internet.

É fácil para os personagens descobrir que Paris Hilton está em Nova York e saber onde ela mora na Califórnia, tudo pela Internet.   Continuação...

 
A diretora Sofia Coppola no lançamento de "The Bling Ring", em junho deste ano, na cidade de Los Angeles, EUA. 04/06/2013 REUTERS/Mario Anzuoni