ESTREIA-"Por Que Você Partiu?" tempera o sabor do "exílio" de chefs franceses no Brasil

quinta-feira, 15 de agosto de 2013 14:32 BRT
 

SÃO PAULO, 15 Ago (Reuters) - O documentário "Por Que Você Partiu?", de Eric Belhassen, fala sobre chefs franceses radicados no Brasil. Essa seria uma descrição precisa, mas pouco honesta e bastante reducionista desse retrato humano.

A investigação parte da pergunta-título, mas, ao se aprofundar nas histórias dessas figuras, o diretor trata, na verdade, das relações humanas e dos laços que os entrevistados mantêm com a França e o Brasil.

Cada um dos seis chefs tem as suas histórias, e o diretor também se inclui no mesmo dilema. Nesse sentido, "Por Que Você Partiu?" é um filme autobiográfico. É como se, por meio dos outros personagens, o próprio Belhassen tentasse entender porque ele mesmo veio para o Brasil e ficou aqui, apesar da cobrança dos país.

Essa investigação é uma via de duas mãos. O cineasta entrevista não apenas os chefes Alain Uzan, Emmanuel Bassoleil, Erick Jacquin, Frédéric Monnier, Laurent Suaudeau e Roland Villard, mas também seus familiares que ficaram na França. A partir dai, são estabelecidas as relações humanas e os laços que tentam resistir à distância.

O único filho a ser confrontado pelos pais com a pergunta-título é Belhassen, cujas respostas, é claro, nunca são suficientes para o pai.

Aqui no Brasil, ele acompanha o dia-a-dia com os chefs, a rotina na cozinha, as compras de madrugada -- essa cena, ao lado de Jacquin, é um dos melhores momentos do filme, com direito a cerveja no bar antes mesmo de o sol nascer. Esse chef, aliás, é uma figura de grande presença, divertido e carismático, mas capaz de ficar furioso quando um prato não sai como o esperado.

Por meio dessa investigação sobre pais e filhos, o diretor revela quanto os filhos podem ser parecidos com seus pais, mesmo que não admitam isso. Essas semelhanças podem ir dos trejeitos à teimosia. Daí emergem os conflitos familiares, apesar da distância.

Se em alguns momentos Belhassen se deixa levar pelo sentimentalismo, a forma como ele lida com o material humano e articula as histórias e depoimentos de seus personagens representa um grande ganho para o filme.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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