Polanski fala sobre impacto de condenação por crime sexual em 1977

quinta-feira, 5 de setembro de 2013 13:25 BRT
 

LOS ANGELES, 5 Set (Reuters) - O cineasta Roman Polanski, numa rara entrevista divulgada nesta quinta-feira, partilha as frustrações e sentimentos por ter sido alvo de ódio em decorrência de um complicado caso judicial relativo a um crime sexual ocorrido há mais de 30 anos.

O franco-polonês, responsável por filmes como "O Bebê de Rosemary" e "O Pianista", admitiu ter feito sexo com uma menina e 13 anos durante uma sessão de fotos regada a drogas e champanhe, em 1977.

Em entrevista à revista Vanity Fair, Polanski disse que se sentiu mais perseguido depois de ser preso em 2009 na Suíça, a pedido dos EUA, do que quando foi condenado pelo crime.

"Na época (da condenação) não passei por nada disso. Foi mais ou menos como o assassinato da Sharon e o que aconteceu depois", afirmou o cineasta, referindo-se aos falsos rumores de que ele estaria envolvido na morte da sua mulher, a atriz Sharon Tate, e de amigos dela, num crime cometido em 1969 pelo grupo de fanáticos comandado por Charles Mason.

A entrevista foi divulgada dias antes da exibição no canal norte-americano Showtime de um documentário sobre Polanski dirigido por Marina Zenovich. Essa mesma diretora já havia feito em 2008 um filme sobre o caso de 1977 envolvendo Polanski, o que motivou advogados a reabrirem o caso.

Em 1977, após confessar o crime, Polanski foi condenado a 90 dias de prisão, mas cumpriu só 42. Ele então fugiu dos EUA porque achava que o juiz renegaria o acordo e o condenaria a até 50 anos de cadeia. Ele passou as décadas seguintes sem voltar ao país.

"Foi um choque saber que isso não está terminado depois que deixam você sair da prisão. Livre! Com sua trouxa embaixo do braço, com o advogado esperando você do lado de fora, parado lá, na sua cabeça tudo terminou, acabou. E aí o juiz mudou de ideia. Tenho de voltar à prisão, e ninguém sabe por quanto tempo. Eu não aguentei", relatou ele sobre a decisão de fugir dos EUA em 1978.

Em 2009, Polanski foi detido a caminho do Festival de Cinema de Zurique, e passou então dois meses numa prisão suíça. Em seguida, foi colocado sob prisão domiciliar no seu chalé alpino, até que em 2010 as autoridades suíças decidiram não extraditá-lo para os EUA.

O veterano diretor, de 80 ano, negou que tenha vivido como fugitivo na Europa. "Passei 32 anos me deslocando livremente" entre casas e projetos na Espanha, Alemanha, Itália, Suíça e Tunísia.

(Reportagem de Piya Sinha-Roy)

 
Cineasta Roman Polanski durante coletiva de imprensa sobre o filme "La Venus a la Fourrure", em meio ao 66º Festival de Cannes. Polanski, numa rara entrevista divulgada nesta quinta-feira, partilha as frustrações e sentimentos por ter sido alvo de ódio em decorrência de um complicado caso judicial relativo a um crime sexual ocorrido há mais de 30 anos. 25/05/2013. REUTERS/Jean-Paul Pelissier