ESTREIA-"Dores de Amores" recicla as eternas histórias de casais

quinta-feira, 26 de setembro de 2013 17:59 BRT
 

SÃO PAULO, 26 Set (Reuters) - Com estreia em São Paulo, apenas na sala Frei Caneca, "Dores de Amores" leva o espectador por 77 minutos à máxima intimidade do casal interpretado por Fabíula Nascimento ("Estômago") e Milhem Cortaz ("Billi Pig"). Nomes ou qualquer outra identificação do par são desnecessárias, bastando os diálogos, que dominam todas as cenas, para aproximar personagens e público.

O que discutem? O comum, o cotidiano de qualquer casal acima dos 30 anos: desilusão, traição, desejo, novas experiências, impotência, atração. Com exceção de alguns raros períodos de silêncio, nos quais eles andam sozinhos ou conversam com amigos, o filme se concentra no debate, que exige fôlego dos protagonistas.

Dirigidos pelo estreante Raphael Vieira, Fabíula e Cortaz mostram disposição para acompanhar seus personagens. São bons atores, com excelente química. Porém, é no enfrentamento entre eles que o filme causa estranhamento.

A explicação pode estar numa questão não explícita de vivência. O roteiro é baseado na bem-sucedida peça de teatro homônima de Léo Lama, encenada por Malu Mader e Taumaturgo Ferreira no final dos anos de 1980. Além de serem muito conhecidos na época, os atores eram casados e emanava deles a experiência de viver na própria pele.

Aqui, Fabíula e Cortaz podem até parecer um casal, mas não discutem como um. Parece faltar em determinadas cenas uma improvisação, para tornar mais naturais as conversas, as brigas e, claro, as reconciliações.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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