ESTREIA-"Gravidade" une intimismo e efeitos de ponta em aventura espacial

domingo, 13 de outubro de 2013 10:30 BRT
 

SÃO PAULO, 10 Out (Reuters) - "Gravidade", ficção científica do mexicano Alfonso Cuarón, aposta muito na verossimilhança. Por isso, causa genuína vertigem a situação crítica dos astronautas vividos por George Clooney e Sandra Bullock, perdidos no espaço e à procura de uma nave com as mínimas condições de trazê-los de volta à Terra, numa angustiante corrida contra o tempo e a falta de oxigênio. A procura desse realismo, assim, justifica o investimento no 3D.

Se o roteiro, assinado pelo próprio diretor e seu filho, Jonás Cuarón, enfileira incidentes capazes de manter os astronautas ocupados, como explosões espaciais e tempestades de fragmentos, não se esquece de humanizá-los o bastante para afligir o espectador com o constante perigo de vida que correm. Nesse sentido, justifica o suspense, que é bem sustentado ao longo do filme.

É evidente, desde a primeira imagem, que Cuarón teve a ambição de inscrever "Gravidade" na galeria nobre dos filmes sobre o espaço, em que já marcaram seu lugar clássicos como "2001 - Uma Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, e "Solaris", de Andrei Tarkovsky, até agora insuperados até por uma ambição filosófica de repensar o lugar do homem no cosmos -, bem como filmes populares como "Alien - O Oitavo Passageiro", de Ridley Scott, "Apolo 13 - Do Desastre ao Triunfo", de Ron Howard, e mesmo a animação "Wall-E", de Andrew Stanton.

O diretor realiza sua vontade de inovar a partir de uma concepção do cenário extremamente claustrofóbica, enfatizando os elementos da escuridão e do silêncio totais que caracterizam esse grande universo em que homens se aventuram com suas pequenas naves e estações espaciais, mínimos diante da imensidão à sua volta como grãos de poeira.

Ainda assim, é curioso que o filme começa justamente por definir a oposição entre a controlada oficial médica Ryan Stone (Sandra Bullock), em sua primeira missão espacial, e o bem-humorado veterano astronauta-chefe, Matt Kowalsky (George Clooney), tal como acontece em qualquer filme policial de dupla de parceiros.

Talvez uma ênfase excessiva seja colocada na história familiar da dra. Ryan, que apenas força um pouco mais as emoções à flor da pele pela fragilidade de sua situação como novata. Ainda que fosse veterana como Matt, o perigo não diminuiria.

Trata-se de um recurso apenas para despertar maior simpatia, especialmente por uma escolha da história, que não se revelará aqui, em relação ao personagem masculino. Uma escolha errada, aliás. O filme deveria ter aproveitado mais e melhor a presença de Clooney.

O sucesso de "Gravidade" na bilheteria norte-americana parece indicar que essa ênfase no aspecto intimista funcionou com o público e pode repetir-se em outros lugares.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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