Príncipe Felipe tenta recuperar imagem da monarquia espanhola

segunda-feira, 14 de outubro de 2013 12:12 BRT
 

Por Elisabeth O'Leary

MADRI, 11 Out (Reuters) - O príncipe Felipe vai assumir o lugar do seu pai, o rei Juan Carlos, numa saudação a oficiais militares no desfile do dia nacional da Espanha, no sábado, em meio à expectativa de que ele possa em breve ascender ao trono.

O rei está se recuperando de uma cirurgia de quadril, sua quinta operação em dois anos, e faltará pela primeira vez ao desfile da Festa Nacional da Espanha.

Fontes palacianas dizem que ele não tem a intenção de abdicar, mas há uma crescente pressão popular, à medida que sua saúde e sua imagem se deterioram.

O herdeiro Felipe, de 45 anos, terá a dura tarefa de recuperar a admiração dos espanhóis, que estão cada vez mais insatisfeitos com a monarquia e com os políticos por causa da crise econômica, dos escândalos de corrupção e da crescente disparidade entre ricos e pobres.

Mas seu estilo discreto pode fazer dele o homem perfeito para que a Casa de Borbón volte a cair nas graças do povo. Simpático, porém mais discreto do que seu jovial pai, o príncipe não foi maculado pelo escândalo que atingiu sua irmã, a infanta Cristina, nem foi implicado em gafes como o safári feito pelo rei na África no ano passado, no auge da crise econômica.

"O rei está há meses fora de ação, e enquanto isso o príncipe cumprirá todas as atividades protocolares que o rei normalmente cumpre. O príncipe se tornará cada vez mais visível", disse um historiador da realeza que pediu anonimato.

O rei Juan Carlos passou décadas sendo uma figura enormemente popular, especialmente depois de ter controlado pessoalmente uma tentativa de golpe de Estado em 1981, tornando-se assim um dos garantes da redemocratização espanhola após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.

Mas as gerações mais jovens têm menos admiração pela monarquia, segundo o consultor político Rafa Rubio. "Praticamente qualquer um de qualquer coloração política que tenha visto a monarquia em prática na Espanha a apoia, mas essas pessoas estão ficando velhas e sendo substituídas por gente mais jovem, que não a entende."   Continuação...