Ópera húngara sobre antissemitismo inclui Bach, rap e até vuvuzelas

terça-feira, 15 de outubro de 2013 20:11 BRT
 

Por Michael Roddy

BUDAPESTE, 15 Out (Reuters) - No que pode ter sido o primeiro uso de vuvuzelas numa ópera, as cornetas estridentes utilizadas no futebol da África do Sul fizeram parte da apresentação de estreia da ópera "A Novilha Vermelha", composta e conduzida pelo maestro húngaro Ivan Fischer, sobre um assassinato atribuído a judeus no nordeste da Hungria.

A ópera de uma hora de duração, apresentada no domingo e na segunda-feira, também incluiu uma vaca vermelha que conversa e canta, uma animada sessão de tradicional de dança folclórica húngara e uma fantasmagórica aparição do herói nacional e libertador da nação Lajos Kossuth, interpretado pelo baixo Krisztian Cser, num papel que fez uma condenação do antissemitismo.

Uma outra personagem importante é uma flamejante estalajadeira judia de cabelo vermelho, na voz da soprano Orsolya Safar. É uma mulher fatal da região onde o assassinato foi cometido, conhecida como "a Vaca Vermelha" e administradora de uma hospedaria com esse nome.

Fischer, que é judeu, disse que já fazia 25 anos que desejava escrever uma ópera baseada na história verdadeira de um incidente em Tiszaeszlar que desencadeou uma onda de antissemitismo por toda a Hungria, e ele sentiu que a hora havia chegado.

A apresentação de uma banda de ciganos e uma orquestra completa, incluindo guitarras elétricas e tendo Fischer como maestro, teve desde Bach até canções de cabaré e rap.