ENTREVISTA-Ruffato escreve sobre Brasil 'como eu vejo', e não é bonito

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 20:18 BRT
 

Por Kirsti Knolle

FRANKFURT, 16 Out (Reuters) - O escritor Luiz Ruffato ficou sem dinheiro, dormiu no chão de uma rodoviária por um mês e choca seus compatriotas quando diz que essa ainda é a realidade do Brasil, mesmo com o país se tornando uma potência econômica.

"Quando você caminha pelas ruas do Brasil, vê aquilo que lê nos meus livros", disse Ruffato, filho de uma lavadeira analfabeta e um vendedor de pipocas, em entrevista à Reuters durante a Feira do Livro de Frankfurt.

Ruffato proferiu o discurso de abertura da feira na semana passada, que em vez de exaltar o Brasil e suas conquistas, versou sobre muitos dos temas abordados pelo escritor de 52 anos em seus livros.

Seus temas são as consequências da rápida industrialização, a privação social e os problemas enfrentados por mulheres e homossexuais no país.

Em um de seus primeiros e mais famosos trabalhos "Ele Eram Muitos Cavalos", publicado em 2001, ele descreve o caos, violência, miséria e decadência de São Paulo.

"Continuamos a ser um país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direitos de todos, e sim privilégios de alguns", disse ele no discurso de abertura, que chocou até mesmo alguns de seus fãs.

"Nós somos um país paradoxal", afirmou.

As palavras de Ruffato contrastaram fortemente com o discurso oficial do governo brasileiro, focado no rápido desenvolvimento econômico e na oportunidade para todos. A obra de Ruffato quase não enfatiza os clichês sobre o Brasil moderno - a cultura de praia, Carnaval e caipirinha. A realidade abordada por ele é diferente.   Continuação...